01 junho 2009

reino da fritolândia

olha, definitivamente, esse não é lugar legal pra ir. mas a gente vai mesmo assim. acho que fazia tempo que não andava por lá, mas continuava ouvindo relatos nada agradáveis de visitas das amigas.

o reino da fritolândia é um país de zero lucidez. e, normalmente, não há razão real para que ele se monte lá, firme e louco. não ligou, não respondeu mensagem? ou por nada mesmo. às vezes, só pela ansiedade de gostar. aliás, ele é um péssimo fruto da nossa urgência e ansiedade.

uma das amigas define o reino da fritolândia como a ilha de lost. um lugar que não faz sentido, que, quando você percebeu, já estava lá e, por mais que você tente, é duro de sair.

eu gosto de outra comparação. pra mim, é como o parque de diversões da história do pinóquio: você sabe que não deveria estar ali – já que tem afazeres. sabe que, no fundo, não é um lugar bom, sabe que é errado estar ali. e sabe que, no final, vai acabar com orelhas de burro.

bem-vindos!

15 abril 2009

como LV em bolsa

[título alternativo: como pakalolo em calça jeans]

você que é mulher e está lendo aqui pode não saber, mas você tem carimbado na testa alguma coisa. ainda não descobri se é uma tinta invisível, em forma de tatuagem, ou alguma cor que se disfarça no espelho... mas está lá. algo que só os homens podem ver. pois é. é claro que eu não vejo e fico só especulando e matutando, tentando descobrir o que está escrito aqui na minha testinha ou simplesmente estampado tipo logo da “louis vuitton” em bolsa, ou “pakalolo” em calça jeans da década de 90.

olha, sei que não é legal, mas está aí. pra quem não acredita, vou falar da minha própria tatoo, porque meu telhado também é de vidro. a princípio, achei que a inscrição fosse “palhaça”, assim de cara, ficava difícil ser outra coisa. eu olhava pra minha vida amorosa e me via como a personagem principal de uma grande anedota!

depois, uma amiga constatou. o que está estampado feito “pakalolo” em mim é “pode”. vou explicar:

- pode te ligar pra gente sair? [pode]
- pode te dar uns beijinhos? [pode]
- pode parar de te ligar? [pode]
- pode te dever dinheiro? [pode]
- pode te enfernizar pelo msn? [pode]

bem, por aí vai, ne... não é assim difícil de entender.

mas também descobri que o sexo masculino também tem tatuado umas coisas. mas mulher tem mania de interpretar tudo e querer ler as entrelinhas. então a gente vê, lê e não entende. exemplo: tem homem que a gente olha e está lá, em letras garrafais: “garoto problema”. o que a gente faz? desconsidera, ou acha que dá pra melhorar.
outro caso bem comum: “fria”... assim tem um monte. você acha que a gente entende? nãaaao! parecemos até analfabetas. vai ver somos, né?

agora eu fico assim, cabreira... olhando e pensando: o que será que está escrito na sua testinha que eu não estou conseguindo ver, hein???

06 abril 2009

resenha

o que vejo são peitos pequenos
e pernas curtas e mais coisas curtas.
me pergunto de onde vem tanta delicadeza,
ou meiguice.
como pode batom vermelho fazer parecer boneca?
era pra ser sexy. ou não?

e o que você vê quando olha?
diminutivos, abreviações,
parte de algo que será adulto,
mulher, mãe, avó.
projeto, esboço, rascunho
que não é revisado, assinado ou concluído.

o que você ouve?
grave, agudo, doce, voraz...
você escolhe 30, 40,
ou fica com a candura?

escolho o que escolhi ser.
onde minhas leves, mas reais, rugas me trouxeram.
tenho história.

03 abril 2009

la em babel

debinha é dona da margô, está de mudança pra londres e é uma lady! tem uma casa que é a cara dela, assim como seu blog!
vale a pena a visita!

http://laembabel.blogspot.com

21 outubro 2008

mr. big serial woman

lendo este post aqui, depois este, constatei que:

1 - é tudo verdade!
2 - sou uma serial mr. bigs woman!

verdade. vou tendo assim, um atrás do outro, desde meus sei lá quantos anos. e acho que, no fundo, eu alimento essas palhaçadas. ok! não acho nada disso palhaçada... na verdade, eu gosto. e acredito que, em parte, esses mr. bigs espalhados por aí (que eu sempre chamei de fantasmas, mas mr. big é um conceito muito mais adequado e divertido) são um jeito que a gente encontra de se sentir um pouco mais viva.
acho indispensável momentos e namoros leves, que não te privam a respiração, nem a concentração no trabalho. e já tive alguns assim, terra firme.
mas, de tempos em tempos, não dá pra não achar a melhor coisa do mundo a barriga esfriar, a mão tremer, taquicardia, os ataques de ansiedade (vide celinha). daí, vão aparecendo os mr. bigs e a gente vai gostando... vai alimentando... e vai sofrendo. ê beleza!!! (digo por mim, ô eu que gosto de sofrer, de um draminha)
daí, um dia canso e volto a querer um porto seguro. que pelo menos deixam a gente trabalhar, né?

08 outubro 2008

quero ser cachorra


eu faço academia. eu confiro quantas celulites eu tenho e me olho muito no espelho. se eu disser que não ligo pra minha bunda caindo, estou mentindo. trabalho a beça, sou competente, mas, como diria minha amiga marla, bom mesmo é ser cachorra. pois é, gente!
e, diante desta declaração, este post aqui diz tudo e um pouco mais.

"porque a gente não quer ser feliz, a gente quer ser feliz e gostosa."

02 outubro 2008

autotraição


me peguei pensando na certeza absoluta de que ele me amava. senão não havia motivo pra ter falado sobre mim com tanto carinho pra alguém tão importante na vida dele. e quis ser honesta, botar as cartas todas na mesa, me expor pra poder viver o grande amor que eu tinha certeza que seria pra sempre. teríamos filhos e visitaríamos a casa da minha mãe como uma grande família feliz.
mas pra isso eu preciso abrir meu coração e esclarecer que o desencontro foi um grande desencontro e sugerir que deixemos o passado pra trás pra podermos ser felizes pra sempre.

aí, por obra divina, lembrei que estava de tpm, primeiro dia de menstruação e falei pra mim mesma: "nada do que você pensar nos próximos 3 dias é confiável. não dê crédito às suas conclusões e de forma alguma confie em qualquer julgamento até a próxima segunda-feira."

30 julho 2008

cabecinha de uma anônima


"é melhor ficar com a tv desligada. ai meu deus! porque os vizinhos insistem em gritar. num preciso de tv ligada pra saber quando acaba o primeiro e muito menos o segundo tempo. ele vai pegar engarrafamento. aquela avenida sempre fica lotada. é. realmente o transito lá é pesado. 40 minutos de tolerância. e se nesse tempo ele não ligar? ok, sem problemas. é só continuar com o plano inicial. não ligue mais. azar! se ele não ligar é porque será melhor assim. aí a vida segue normal. sem dificuldades. 60 minutos além da tolerância. num é possível que ele não ligará. num tem engarrafamento que perdure isso tudo. já ta quase começando o fantástico. telefone. putz, agora num tem jeito. e o cinema com a amiga? mas e se ele ligar depois de ter saído pro cinema? ok. ë só ligar e perguntar. mas e se ele num atender? ok, ok! tem que ser agora. telefono: “ei! e aí como foi o jogo?”

afinal, tem 38 dias que estão nessa. logo, nenhuma cobrança é pertinente. ai ai. mas e se mandar uma mensagem e ele não responder? caaaaaaalma. as ultimas que foram enviadas, foram respondidas em tempo hábil. tem até aquela que foi enviada durante o jogo e ele respondeu na mesma hora. ok. ele num ficará sem responder. aliás, pelo menos é melhor pensar assim. então vai lá: “ei! tô com saudades. como você está?” ai que ansiedade. cronômetro correndo, celular checado de 3 em 3 minutos. em pouco mais de 20 minutos chega a resposta. vamos ver se a história evolui. mas como? se ele num convida, vou ser mais incisiva. vou propor duas opções de data e vamos ver se responde. “vamos nos ver na terça ou quarta depois da sua aula?” 10...15... 50... 1000 minutos sem resposta. num é possível. ele num vai responder? ele pode num ter recebido. essa operadora deve estar doida. mas e se recebeu e num quer responder mesmo. de repente é um sinal. ele está me cortando. queimou no golpe!!!! não quer me ver mais e nem pra ter coragem de falar. é por isso que num responde.

tenho certeza que ele não atenderá ao telefone. é melhor ligar de outro número. nãaaaaaao! pára com isso! depois vai ficar achando que ele só atendeu porque não era o seu número. então ta decidido. ligar do número que ele tem armazenado e seja o que deus quiser."


srta saco de filó

13 julho 2008

mulherzinha

estou a menos de uma semana do meu aniversário e esta nunca é uma data muito confortável. quem não acredita que me desculpe, mas fico em inferno astral. achei que não teria este ano, mas cá estou. o bom é que sei que em menos de uma semana, vai passar e eu volto a ser eu mesma. esperançosa e crédula.
fico repetindo aos quatro ventos que quero, um dia, ter família, com marido, filhos, casinha...etc: pacote completo. mas, nesses dias difíceis, tenho estado amedrontada, com a idade, com o tempo que tenho, com o quanto ainda a ser feito. e sempre me convenço que tenho tempo. e digo que tenho tempo a tanto tempo.
e aí, abro a veja especial mulher, de maio deste ano, e vejo uma reportagem falando de filhos e que como é melhor pra mulher, para o filho, para a gravidez, que esta aconteça antes dos 35 anos.
e me pego, como tantas mulheres que já critiquei, aflita pra que tudo aconteça. patética. sem saber a direção ou as vontades certas. uma mulherzinha com tanto a fazer.

10 julho 2008

psycho

outro dia, numa saída, fui abordada por um rapaz sem que eu sequer tivesse olhado pra ele. antes que alguém me julgue de chata ou cri-cri, não costumo gostar de homens que chegam sem mais nem menos. gosto de escolher, isso me deixa confortável e paquerar é algo que sei fazer.voltando ao assunto, por mais que eu fosse monossilábica ou não me demonstrasse nada interessada em saber da vida dele, ele não saía de perto (desculpe ser tão direta, mas tento falar aqui como falo com minhas amigas, sem cerimônia). não deixava eu conversar com minhas amigas, queria saber de coisas da minha vida e me dar conselhos. dizia que tinha gostado muito de mim... o que me deixa embasbacada porque esta pessoa em questão não me conhecia. podia ter me achado bonita, gostosa, achado o batom vermelho bacana, mas definitivamente, não me conhecia.meu erro foi, não sei se por carência, por ter alguém ali, me elogiando horrores, ou se por pura falta de tato e prática, dei meu telefone e daí, ele me largou. ali, naquele dia.bem, depois disso, eu não tive mais sossego. me ligou, mandou inúmeras mensagens, querendo almoçar, saber onde eu trabalho, querendo me entregar um presente... presente???? só eu acho isso muito bizarro?sei que, além de não ter gostado do cara, fiquei com medo, achando a pessoa meio psicopata... tipo cismou comigo! e aí, fiquei me perguntando, se estou um tanto calejada demais. se deveria me sentir lisonjeada com tamanha atenção. me assusta ficar assustada com esse tipo de coisa. ou se é realmente meio doentio essa pessoa me achar o máximo dos máximos sem ter uma conversa real comigo sequer.

depois de dias, voltei a ler esse texto e minha opinião ainda é a mesma. doido.

17 junho 2008

indignação - volume II


este post é o segundo da série. ele nem era previsto desse jeito, mas aconteceu hoje de manhã e foi sensacional!

hoje uma senhora de 88 anos na padaria e ela veio conversar comigo, dizendo que estava morrendo de frio. olhei bem pra ela. pequena e magrinha, miúda mesmo! cachecol, trenchcoat, maquiagem toda borrada porque ela não deve enxergar direito mais. mas maquiada às 8h da manhã, tomando um café com leite na padaria.

ela comentou do frio e me perguntou se eu era casada. eu disse que não. daí ela falou que, então, talvez eu não entenderia. que o marido dela nem ligava se ela estava com frio, que, apesar dele ser mais velho, ele era homem e ela era muito pequena e magra, então devia cuidar dela. mas que, ao contrário, quando ela reclamava, ele dizia que também estava e que: fazer o que, né?

fico pensando o quanto ela estava indignada com essa história pra desabafar com estranhos na padaria. claro que imagino que o marido deva ser um velhinho bem velhinho também morrendo de frio. mas sou daquelas que acha que mulher não pode coçar o saco e que homem tem que ser meio protetor, tem que cuidar... nem que seja pra manter alguma diferença entre os sexos.

16 maio 2008

indignação - volume I

inicio aqui uma série de posts de indignação em relação a algumas coisas que tenho visto ultimamente.

o primeiro deles é sobre o comportamento na balada.

me impressiona muito como os homens se comportam como machos no cio e param de raciocinar ao ver uma calça justa, um cabelo grande, um batom vermelho. me espanta ainda mais constatar como eles, mesmo depois de séculos de convivência, ainda não sabem lidar com as mulheres.

pergunta 01: será que eles realmente acreditam que puxar uma mulher pelo braço vai fazê-las instantaneamente quererem dar pra ele?
pergunta 02: há algumas regras que devem ser seguidas, mesmo que implícitas, e que a maioria dos homens simplesmente ignoram. se uma mulher não notou a sua presença, há uma chance de uma em milhares que ela aceite sua investida.

e, como dica, deixo aqui algo que uso com freqüência, digo por experiência própria, saiba qual é seu poder de alcance e se contente com ele ou se impressione com exceções (eu disse exceções). mas não ache que você é o gerald butler.

mas se você fez tudo aí em cima e ainda se deu bem, escreva um livro que vai vender e você vai parar no jô.
só pra constar, este e os outros que virão não são posts contra os homens. adoro os homens. só acho a raça meio patética. necessária, mas patética.

10 abril 2008

abismo de gêneros

outro dia, expliquei ao meu namorado a função de cada um dos meus novos pincéis de maquiagem.

_ este aqui é pra pentear as sobrancelhas.
_ pentear? arruma assim, ó! (ele lambeu o dedo e “penteou” a sobrancelha... rsrs). isso é pra limpar carburador. ó que bão!
_ olha o blush que eu comprei... lindo, né?
_ pancake! pancake?
_ não! blush!
_ gosto de falar pancake! pra mim é tudo pancake!
_ esse aqui você conhece, né? curvex...
_ sei! quero ver o dia que vocês vão prender o olho nisso aí!

notou o abismo?

27 março 2008

e você? já deu sua coçadinha hoje?


todo mundo sempre me disse que eu devia ser independente. que não podia depender de homem. ok! e eu estudei e estudei, trabalhei horrores e, logicamente, faltou tempo pra outras ciosas. tempo pra aprender ou falta dele pra dar valor.

as pessoas a minha volta se preocupavam tanto em me ensinar a importância de ser alguém que faltou me explicar a ser mulher, feminina, como se só o fato de eu nascer sem saco me impedisse de dar uma cocadinha.

costumo fazer piada dizendo que o namorado da minha irmã é um príncipe e sempre fiz piada de que ela é impecável pra ele: unha feita, cabelo lindo, depilação milimétrica, lingerie sob medida.

outro dia, meu namorado chegou em casa e encontrou a namorada:
- blusa velha de arrumar casa sem sutiã
- short
- piranha segurando a franja (tipo xuquinha... meio yorkshire)
- unhas (de modo geral) sem fazer
- 3 dedos pintados, cada um com um esmalte pra um teste de cor
- por debaixo dos panos (depilação por fazer)
(linda, né)

toda vez que ela vai se aprontar, escolhe o sapato/blusa/calça mais confortável que pode haver seja qual for a ocasião.
saiu com pressa, de roupa amarrotada e sem brinco
a noite foi péssima. acordou e não se olhou no espelho antes de sair.
mesmo que a noite não tenha sido ruim, acorda e não se ilha no espelho antes de sair.
sai pra dormir fora de casa e não leva nenhum creminho, nem uma camisetinha bonitinha pra dormir.
não passa uma pomadinha no cabelo há mais de 1 mês.
tem 5 sapatos de salta que não saem da gaveta.
numa festa, ela vira a garrafa (600ml) pelo bico.

e você? já deu sua cocadinha hoje?

20 fevereiro 2008

belo horizonte, 20 de fevereiro de 2008


desde que deixei de escrever assiduamente por aqui muita coisa mudou. meus cabelos estão maiores e crescendo, uso brincos maiores e uso menos salto. passei a usar shorts para quase todas as ocasiões, faço minhas sobrancelhas com mais freqüência e passei de cera a depilador elétrico. tenho mais roupas no cabide, cores no quarto e um laptop, do qual escrevo este post. fui a europa, fui a europa sozinha e comprei em brechós. passei do esmalte gabriela, passando pelo gabriele até chegar no malícia, do vermelho ao rosa alaranjado. fui loira, de reflexo e, depois de anos, ostento um longo (no meu ponto de vista, lógico) cabelo na cor natural. uso menos colares e mais pulseiras, uso mais vestidos e nado 1500 metros quase diariamente. aprendi (e aprendendo) a dançar a dois, mesmo que meio dura às vezes. minhas amigas dizem que tenho o céu limpo, que sou serena e sensata e talvez isso seja verdade e deva-se a isso minha ausência por aqui. enlouqueço menos com diversas coisas e aprendi a acreditar em ações. aprendi a conviver com a falta de “eu te amos” e declarações de amor e aprendi a pedir o que eu quero e quando quero, mesmo que o que eu queira seja uma declaração de amor. meu pecado continua sendo a preguiça e continuo amando josé saramago e alta fidelidade. confesso que tenho escrito pouco e que escrevo mais e melhor em épocas conturbadas e angustiadas e que isto que lêem é uma exceção.

pretendo voltar e me esforçar pra que este lugar continue recebendo textos de qualidade. talvez vocês leiam aqui declarações de amor ou sobre coisas que me façam viver melhor minha vida de namorada. vou continuar falando sobre homens porque o gênero continua tendo uma importância imensa na minha vida. e sobre as mulheres porque acredito que fazemos parte de uma geração que desaprendeu algumas coisas sobre ser mulher e é esse assunto que tem tomado minhas longas conversas.

29 outubro 2007

mala

ou você divide sua vida
ou não divide a dor,
a dúvida, a angústia.
não carregarei
nem você nem sua bagagem.
assuma o peso e deixe ficar o supérfluo,
concentre-se no essencial
no passo adiante, no futuro.

eu com minhas coisas,
frente a frente,
disposta a remanejar
a dor, a alegria, a realidade, as víceras.
não tenha medo que eu cuido das suas feridas
pra você dormir tranquilo.

15 outubro 2007

crônica de noção


sempre me considerei uma pessoa com noção. com noção do certo e do errado, com noção do que é educado e do que é indelicado, com noção do bom e do ruim. num belo dia me deparei com uma mudança de valores, meus valores.
marquei uma viagem de negócios numa cidade próxima a belo horizonte. viajei de ônibus, pois não dirijo em estradas. realizada a reunião procedi em retornar imediatamente. um dos clientes me ofereceu uma carona, pois como já disse não dirijo em estradas. foi nesta carona que descobri o inusitado. paramos por um momento para encontrar outro caronista, que também era cliente, e assim como eu provavelmente não dirigia em estradas ou queria economizar uma gasosa. o cliente caronista é um homem de meia idade, obeso, fumante e muito bem-humorado. antes da entrada dele no carro, como se nada nem ninguém tivessem observando ele tirou de uma sacola uma camisa e de repente, não mais que de repente trocou de blusa na nossa frente, no meio da rua. ficou sem camisa e colocou outra menos suada. até que a atitude foi bem intencionada, mas eu achei um pouco “sem noção”. após a entrada no carro ele tirou um perfuminho da mesma sacola e deu umas borrifadas nele e claro em todos os demais presentes no recinto, o carro. falou que adorada aquele perfume e achava fundamental que todos andassem com um perfuminho a tira-colo. achei um pouco “sem noção”; não o fato do perfume a tira-colo mas sim as borrifadinhas nos demais presentes, afinal gosto de perfumes, mas dos meus. finalmente ele deu o golpe final, tirou um cigarro do bolso, acendeu e começou a fumar. nesta hora o carro já estava a 90km/h o que desviou a fumaça diretamente para as minhas narinas. dei umas tossidinhas, mas como fiquei tímida me contive. foi então que ele começou um prólogo interessante em meio a baforadas: - “... nossa gente, fiquei impressionado com a diretora da escola! como assim o sinal bate às 12:50hs e ela sai às 12:45hs? nossa senhora, ela é muito sem noção!!!!!” neste momento minha cabaça começou girar e pensar...perái, como assim ele tira a camisa na rua, dá borrifadinhas nos demais presentes, entope minhas narinas com fumaça e a diretora que é sem noção?
cheguei a uma conclusão: nunca mais falarei que alguém não tem noção, eu é que não tenho a noção da outra pessoa, ou sou eu a sem noção da história.

cynthia dias

22 abril 2007

o que seria deste mundo se não fossem os homens?

um texto por priscilla, sobre liberdade, lucidez e hemisférios.

"acho que melhor. o pior ao bicho homem é o poder das possibilidades: o poder de poder. a possibilidade liberta o homem. o faz ziguezaguear por todo e qualquer caminho, o que a meu ver é o verdadeiro sentido do poder, do estar. fazer da vida a sua sala de estar, daquelas bem casa de vó, onde você pode assistir ao programa do luciano huck num preguiçoso sábado à tarde, após ter ido à manicure, tomando sorvete de flocos sem medo de deixar o pingo atacar o tapete velho. e foi nessa mesma sala de estar que você pode assistir na cnn espanhola ao vivo, aos conflitos dos cocaleiros de cochabamba. no mesmo sofá onde há 40 anos atrás toda a vizinhança assistiu à ida do homem à lua. isso é liberdade. aurélio buarque de holanda não me bastou com a sua “condição de ser livre”.

que estado de poder é esse que escraviza, castra e aliena tantos homens e mulheres da minha geração? posso tudo, quero tudo e muita coisa, mas não posso! “o que vão dizer?” o que até os próprios amigos, aqueles que você mais gosta, os melhores... o que eles vão pensar? o que eles pensarão de mim?

parece-me que homens e mulheres se esqueceram do “ser” enquanto traquinavam tantas descobertas. dna, micro-cirurgias, voto eletrônico, corrida espacial, revoluções políticas, guerras.... que senso comum é esse que castra simples e friamente os nossos eus, coitados... perdidos por aí. estão em algum lugar, mortos ou atropelados por modismos, fanatismos e sobretudo padrões.

cansei e cansei muito aos 26. estou com muita preguiça. muita, enorme. e conheço muitos preguiçosos como eu. todos com preguiça dessa pretensa inteligência humana: intelectualóides escrotos... falsos ricos... pseudo-hippies... ecat!

prefiro os dinossauros onde t-rex era t-rex e pronto! agradassem ou não, pterodáctilos roubam ovos de mães indefesas. eu sempre suspeitei que devia ter cursado outra coisa... entre biologia ou medicina veterinária. quando eu era muito pequena, muito pequenininha mesmo, perguntavam-me o que eu queria ser quando crescesse e eu dizia: “ ... bióloga!”. nunca entendi isso direito, mas agora sei o porquê. crianças não são inocentes; são sinceras, despretensiosas. são só seres humanos. ainda não viraram bestas.

cavalo dá coice, nunca à toa. muitas cobras só atacam quando acuadas e as que atacam sempre eu adoro! são vilãs natas! “...pula fora, senão eu mordo!” e as vacas, que são preguiçosas e ninguém tem nada com isso... fora os camaleões, águias, urubus... que personalidades! vinícius de morais admirava seu quintal porque achava sensacional patos, cachorros, gatos, gansos, galinhas, coelhos viverem harmoniosamente. sem guerras, todos felizes. não precisa ir ao iraque não, nem à rocinha. refiro-me às guerras internas, dos pré-conceitos velados, que são os piores. temos que ser ricos, bonitos, inteligentes e magros e aí, quem sabe, ainda alcançar a salvação eterna. axé!"

26 março 2007

aiaiaiaiai... só danço samba


e todo mundo achava que ela deveria resolver os problemas dos países baixos. que esse era realmente o problema! todo mundo pensava. menos ela.
"eu não penso, ne?! se pensar, é foda..."
continuava passando os fins de semana mergulhada em suas séries de tv, reuniões com amiguinhas, almoços inocentes. de vez em quando, ela sambava. e era só sorrisos. pra ninguém, é claro!
às vezes, alguém aparecia com algum bofe pra apresentar. "bem legal!" "bacana" "bofão"... cheios de adjetivos os moços.
"conhecer, tudo bem, ne?! não morde mesmo... nem arranca pedaço"

... e ela está sambando...

11 março 2007

evolução internacional das mulheres


me dei conta de que os homens definitivamente não estão preparados para as mulheres. obviamente, não falo das mulheres de sempre, com as reivindicações de sempre. mas daquelas que transcenderam os problemas matrimoniais e/ou de carência ou de falta de conversa. essas coisas que os homens tiram de letra há gerações, com seus silêncios e seus tempos “para que elas se acalmem”.

enquanto não cobramos presença nem carinho nem telefonemas nem flores nem gentilezas, entretanto, homens não sabem o que fazer com essas mulheres. porque não há o que fazer. já fizemos por eles... tão previsíveis e estagnados em modelos obsoletos.

as atitudes variam. alguns se desesperam em sua insegurança por não conseguirem perceber que só se trata de evolução a independência. até vejo esperança para estes, uma vez que é, ao menos, uma surpresa ou um comportamento diferencial.

mas os outros (ah! os outros) se viciaram em reclamações e nas conversas de botequim com os amigos, recheadas de generalizações. não os culpo, porém, é só algo transmitido através das gerações: mulheres querem príncipes encantados e nós, homens, estamos aqui no mundo para não sê-los.

e, de repente, aparece uma geração de mulheres que, incrivelmente, dispensa o príncipe? é mesmo de bagunçar os neurônios pouco utilizados dos machos.

16 fevereiro 2007

eu te disse!


_ mi, vc devia escrever um livro ou uma peça de teatro... alguma coisa.
_ como assim?
_ que isso, nega! essa sua cabecinha pensa coisa demais... eu só te perguntei que se você quisesse podia viajar com as meninas. sem contexto, mi. só a pergunta. sem contexto.
_ tá... tudo bem
_ mas você devia escrever mesmo!
_ mas eu já escrevo!!! eu tenho um blog! justamente sobre isso... =/

30 janeiro 2007

truta ao molho de uvas


já fui invisível. digna não de ser das últimas da lista das mais bonitas. eu simplesmente não estava nela. falando assim, eu também poderia ser a menina, meio vestida de menino, no fundo da sala. ou a menina de óculos, aparelho e cabelão... magrinha, tadinha! podia ser qualquer uma. invisíveis. custaram a usar sutiã! isso se já precisaram algum dia.

e agora lá vem ele. ex-galã. ex-playboy. bem, sobrou só o dinheiro. e uma barriga. e a pompa. e lá vamos nós... restaurante chique, comida fina. pra rebater a ressaca!

04 dezembro 2006

amaciando

"virei outro. tratei de reler os clássicos que me mandaram ler na adolescência, e não agüentei. mergulhei nas letras românticas que tanto repudiei quando minha mãe quis me forçar a ler e gostar, e através delas tomei consciência de que a força invencível que impulcionou o mundo não foram os amores felizes e sim os contrariados. quando meus gostos musicais entraram em crise me descobri atrasado e velho, e abri meu coração às delícias do acaso.
me pergunto como pude sucumbir nesta vertigem perpétua que eu mesmo provocava e temia. flutuava entre núvens erráticas e falava sozinho diante do espelho com vã ilusão de averiguar quem sou. era tal meu desvario, que em uma manifestação estudantil com pedras e garrafas tive que buscar forças na fraqueza para não me colocar na frente de todos com um letreiro que consagrasse minha verdade: estou louco de amor.
obnubliado pela evocação inclemente de degaldina adormecida, mudei sem a menor malícia o espírito de minhas crônicas dominicais. fosse qual fosse o assunto as escrevia para ela, nelas ria e chorava para ela, e em cada palavra se ia a minha vida. no lugar da fórmula de folhetim tradicional que as crônicas tiveram desde sempre, as escrevi como cartas de amor que cada um podia tornar suas. propus ao jornal que o texto não fosse levado às linotipo mas publicado em minha caligrafia florentina. o chefe da redação, é claro, achou que era outro acesso de vaidade senil, mas o diretor geral o convenceu com uma frase que até hoje continua solta pela redação :
- não se engane: os loucos mansos se antecipam ao porvir.”

(trecho do livro "memórias de minhas putas tristes", de gabriel garcía márquez)

_ confessa: vc estava morrendo de saudade de mim, não tava?
_ é. tava mesmo...
_ então eu vou te encher de beijo!
_ por isso?
_ consegui a mão. agora quero o braço.
(...)

30 outubro 2006

30 segundos de amostra feminina


"nega, vou pra casa. nos falamos depois. beijo."

vou ligar. vou perguntar como foi. por que ele não vem. por que não ligou. mas e aí? nos falamos depois... depois quando? falou que nos falávamos depois. fa-lá-va-mos. não agora. por isso mandou mensagem. senão tinha ligado. pra falar. ok! posso responder a mensagem. mas não foi uma pergunta. mensagem informativa. "vou pra casa" pontos finais... vou responder o quê? que concordo ou que aceito, que entendo? e se minha resposta fosse diferente? faz diferença pra você, meu bem? se não queria que você fosse pra casa? você desligaria o telefone e eu continuaria contrariada?
ok! pode ir pra casa. nos falamos depois. volto aqui pros meus detalhes de banheiro. "aceito os subterfúgios que me cabem"... lembro-me do legado. pensa simples. vamos nos falar depois. outro beijo.

29 outubro 2006

a mamãe nem pediu


genro é algo complicado. porque nos sonhos das mães mais cuidadosas e amorosas e compreensíveis, que já se casaram e já escolheram, os possíveis futuros maridos das filhas são o objeto do julgamento. difícil, né?! mesmo quando nem há apresentação.

uhhhh!!! carreirista, engenheiro, contratado e disputado por muiltinacionais...
analista de sistemas, descolado, frango do pescoço pelado???
arquitetinho promissor, rostinho bonito, anjo da sogrinha...
advogado, ternos e gravatas, ticket refeição de R$12,50???
funcionário do banco do brasil, residente de espera (o q mesmo?)
administrador. futuro consultor. empregado com o papai...
bancário gerente, casa própria, carro pago, metade de gente!

barrigas, cervejas, ligações a cobrar, chifres, brochas, ex-namoradas, motos sem gasolina, ônibus até o fim do mundo, desculpas.

bem, ele usa drogas, não tem residência fixa e faz xixi de porta aberta! bem, uma multinacional acredita nele... isso vale, mamãe?

22 setembro 2006

high fidelity - part 2

happy end! (rsrs)

21 setembro 2006

will be romantic?


"rob and laura lean back in a booth, facing each other. we get that feeling that not another word has been spoken sincewe last saw them.

_i'm too tired not to go out with you.
_so if you had a bit more energy we'd stay split. but things being how they are, what with you wiped out, you'd like us to get back together.
_everything's too hard. maybe another time i would have the guts to be on my own, but not now i don't.
_ what about ian?
_ ray's a disaster. i don't at that was all about, except that sometimes you need someone to lob into the middle of a bad relationship like a hand grenade, i guess, and blow it all apart.
_ mission accomplished.
_ i know it's not very romantic, but there will be romance again at some stage, i'm sure. i just... i need you, rob. that's it. and we know each other and we care for each other, and you've made it clear that you want me back, so... she looks up at him... let's go home. okay?
_okay."
(retirado do roteiro do filme "alta fidelidade")

"too tired" é foda, mas é verdade.

04 setembro 2006

com licença poética


adélia prado

"quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
mas o que sinto escrevo. cumpro a sina.
inauguro linhagens, fundo reinos-
dor não é amargura.
minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade da alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
mulher é desdobrável. eu sou."

pra não esquecer.

22 agosto 2006

guerra e paz


tenho ouvido com muita atenção alguém por aí comparar a paquera à guerra. não vou descrever as estratégias aqui porque é bem cabeça de homem, o que não é o caso deste blog.

mas como gostei da metáfora, vou utilizar pra falar sobre dois talentos: o da abordagem ao inimigo e o da manutenção do cessar fogo.

1 a guerra
sou ótima nisso. sei exatamente quem olhar, quando olhar, a melhor hora pro sorriso. sei ir pra balada só pra inflar meu ego, não dar liberdade pra ninguém chegar. só demonstrar os interesses. sei ser interessante, cativante, encantadora. a ponto do moço ligar no dia seguinte. pára por aí. acabou a guerra. começou o cessar fogo. é hora do acordo de paz.

2 o cessar fogo
aí o talento é de outra pessoa. ela sabe. ainda não sei bem se é dom de nascimento ou aprendizado na marra. só sei que sabe quando é hora de renovar o relacionamento. não atender, não ligar, revitalizar os interesses. fazer o moço querer noivar, casar... (rsrs). enfim, evitar o primeiro bombardeio. talvez não o primeiro ou o segundo, mas dá sempre pra assinar o acordo de paz.

agora, imagina essas duas mulheres numa só? é perfeição demais...


21 agosto 2006

na minha amiga ninguém mija


podemos ser 3, 4, 5... depende. varia muito do programa, da ocasião. e não sei se é por gostarmos de homem, por termos problemas parecidos, mas o fato é que falamos a mesma língua.
o pretendente tem que passar pelo crivo. a aprovação é importante. mas também existe o respeito das decisões:
- seja pra droguinha
- pro moço esquisito
- pros vários moços de uma só vez
- pras burradas insistentes
- pra exigência negão 1,90m.
trocamos conselhos e experiências, em conversas malucas pelo msn ou em bate-papos de buteco! temos radar pra homens bonitos, gostosos ou tesudos... mas, acima de tudo, costumamos proteger, sabe? então,

post aviso: mexeu com uma, mexeu com todas. abram os olhos qualquer um. rogamos praga, pagamos pra bater, passamos trote. por isso, a advertência.

larica, tudo bem. já "armadrugs", xô!

10 agosto 2006

filosofantes


tenho me perguntado se todas as mulheres são assim
fritantes, fritadas.
pensadoras de como tudo pode dar errado.
probabilidades múltiplas.
teorias e conspirações baseadas nas frouxidões dos machos modernos.

(se é que chamo de machos esses meninos sem vontade)
ah, esses moços!

mas a gente gosta de homem...
e mais ainda da diversão que seus atributos proporcionam.
porque o lema é:
primeiro a diversão,
depois a gente desiste e vira virgem.

07 agosto 2006

clap your hands


bem, este blog fez um ano no sábado, dia 5... se não me engano. infelizmente não pude fazer um post no dia, mas fica aqui o registro.

há um ano eu falava de quebra-cabeças, tive que conviver com "anônimos" impertinentes, mas tive muitas surpresas boas. uma delas, sem dúvida, é o fato de eu amar isso aqui, cada texto, mesmo depois de tanto tempo. o que pra mim é fato raro. continuar gostando de coisas minhas. outra é o fato de muitas pessoas também gostarem, e me darem um retorno fantástico de tudo que escrevo.

como viram, esse é um post de mãe coruja... parabéns filhote!

21 julho 2006

banho de banheira tem que ser morno


queria dizer sobre a intensidade das coisas. questionar, na verdade. sempre dei muito valor às pessoas intensas, 8 ou 80, extremas. sempre as achei interessantíssimas, envolventes. entretanto, os extremos deixam de fora um lado inteiro de coisas que têm seu lado bom.
de que me adianta ser sereno e bem-humorado se isso me faz achar tudo bom, me impedindo de melhorar?
ou ainda ser tão perfeccionista, se nada é bom o bastante, se não dá pra comprar um vestido de festa? assim, nunca poderia usar minhas calças justas com a bunda que tenho.
bem, talvez também eu só esteja querendo justificar minha mornice, tão relaxante...

16 junho 2006

enamorado


"psicórdica
(adélia prado)

vamos dormir juntos, meu bem,
sem sérias patologias.
meu amor é este ar tristonho
que eu faço pra te afligir,
um par de fronhas antigas
onde eu bordei nossos nomes
com ponto cheio de suspiros."

e eu já tinha pedido. feinho assim.

08 junho 2006

romance "muderno"


ele gostava dela. ela gostava dele. até gostavam de estar um com o outro. se admiravam e tinham os mesmos gostos. o sexo também era bom. enfim, eles se davam bem. só não namoravam. não no sentido oficial da palavra. nem em qualquer outro sentido. mas era tudo bem estável e constante. e nada simples.

para que as coisas dessem certo, para que eles não namorassem, devia existir alguns limites e outras determinações.
exemplo:
_ chamar pra ir ao cinema pode?
_ pode. eles gostam dos mesmos filmes, ué?!
_ convidar pra sítio com os amigos?
_ não, não pode. até explicar pra todo mundo o esquema todo...
_ convidar pra assistir dvd em casa pode?
_ se morar sozinho pode. se morar com família, nem pensar? vai apresentar como? amigo (a)?
_ mandar mensagem carinhosa pode?
_ pode.
_ pedir satisfação, pode?
_ não.
_ ficar com outras pessoas pode?
_ pode.
_ se envolver com outras pessoas, pode?
_ não. aí é quase traição.
_ se abrir com a pessoa. sobre as dificuldades do dia?
_ pode.
_ pedir o telefone da casa, pode?
_ não, não pode.

outra coisa importante para o relacionamento é a definição de dias de se encontrar. pra evitar situações chatas, sabe?! tipo um ligar e o outro estar com alguém. tem que organizar pra dar certo. assim, bem desse jeito. botando os sentimentos na fila. um depois do outro. um pra cada dia da semana.

aliás, alguém lembra de “sapino”?

31 maio 2006

royal blood


estive ensaiando escrever para fazê-lo depois de fechar alguns pensamentos a respeito de umas questões um tanto abertas na minha cabeça. mas acho também que certas coisas só fazem sentido em horas corretas. e talvez as conclusões nem cheguem. a urgência da hora também ajuda.

apesar de os últimos tempos terem sido mais de calmaria e os sentidos estarem um tanto cansados dos jogos, alguns acontecimentos saltam aos olhos e fazem a cabeça funcionar para as velhas questões. (como vêem, esse é um post "bem cabeça de mulher mesmo")

esses acontecimentos têm a ver com a nobreza que a mulher costuma enxergar o mundo. como cada fato tem seu lugar, sua hora, sua riqueza. como um caso típico nesse mundo de sempre se torna especial e ganha nuances de grande aprendizado, de grande história, de definitivo.

e não só os olhos são nobres, mas as atitudes também tentam ser. para que a superação venha logo ou que se possa ser alguém melhor... não importa. busca-se a nobreza nas atitudes. para si e para o outro.

se é uma virtude. ainda não sei e não sei se me interessa. mas também não acho que deva mudar. faz admirar e estar orgulhosa. isso basta.

quanto aos quebra-cabeças, ficam para um outro post, uma outra data menos nobre que essa.

25 maio 2006

diamonds are a girls best friend


um comunicado: loiras são mais bem tratadas. são mais olhadas. essa é uma constatação de alguém que já foi morena e ruiva. pessoas são mais solícitas com as loiras, mais educadas.

dizem que é porque existe a fama de que loiras dão pra qualquer um, ou dão mais fácil, pelo menos.

agora, algumas dúvidas:
- só porque o cabelo perdeu a pigmentação quer dizer que a vontade de transar fica maior?
- ou o dourado das madeixas faz é a escolha dos "machos" ser menos criteriosa?

23 maio 2006

liberdade


novo feminismo (pra quem tanto já ouviu falar e não consegue entender...) é a mulher poder virar pra amiga e dizer que vai ficar o sábado à noite de mulherzinha, com o namoradinho, sem sair pro evento do mês, sem que isso corrompa nem um pouco sua independência ou sua "reputação" de mulher moderna.

03 maio 2006

pensamento do dia


bom mesmo é quando o pensamento que sobra de um ex-namorado é o cheiro de cebola que você sente de manhã no seu escritório.

28 abril 2006

sem palavras


“_ A drinking lunch on a school day. What a nice surprise.
_ (...)
_ Are you worried about tomorrow night?
_ Not really.
_ Are you going to talk to me, or shall I get my paper out?
_ I'm going to talk to you.
_ Right.
_ (...)
_ What are you going to talk to me about?
_ I'm going to talk to you about whether you want to get married or not. To me.­
_ Ha ha ha. Hoo hoo hoo.
_ I mean it.
_ I know.
_ Oh, well thanks a fucking bunch.
_ I'm sorry. But two days ago you were in love with that girl who interviewed you for The Reader, weren't you?
_ Not in love, exactly, but...
_ Well forgive me if I don't think of you as the world's safest bet.
_ Would you marry me if I was?
_ No. Probably not.
_ Right. Okay, then. Shall we go?
_ Don't sulk. What brought all this on?
_ I don't know.
_ Very persuasive.
_ Are you persuadable?
_ No. I don't think so. I'm just curious about how one goes from making tapes for one person to marriage proposals to another in two days. Fair enough?
_ Fair enough.
_ So?
_ I'm just sick of thinking about it all the time.
_ About what?
_ This stuff. Love and marriage. I want to think about something else.
_ I've changed my mind. That's the most romantic thing I've ever heard. I do. I will.
_ Shut up. I'm only trying to explain.
_ I mean, maybe you're right. But were you really expecting me to say yes?
_ I dunno. Didn't think about it, really. It was the asking that was the important thing.
_ Well, you've asked. Thank you.”

Leve como deve ser. E livre pra pensar em um milhão de coisas.

22 abril 2006

cadê?


gosto de filmes de relacionamentos mal sucedidos. gosto de músicas de despedida. gosto de livros que movem meus pensamentos enquanto caminho na esteira.

às vezes me pergunto se eu não deveria gostar de filmes de explosões. se não deveria deixar de lado meus livros e minhas intelectualidades. se as coisas não seriam mais simples. se eu deixaria de enxergar as feiúras que vejo ao meu redor. se eu não teria menos preguiça e se eu gostaria mais do que faço. mais simples.

ou se não deveria reinventar minha fé. como minha avó. que acha que esta vida é um céu.

31 março 2006

poeminha


namorado é aquele faz você acreditar que sua bunda não tem celulite.
ele vai embora, você vai olhar.
elas estão todas ali, mas você finge que não vê,
e sai achando tudo lindo!

23 março 2006

4 vidas


há que saber sempre como segurar firme as rédeas da própria vida. saber não repetir os erros do passado. perceber quando o momento é decisivo pro futuro, pro bom andamento de alguma coisa. saber a hora em que é imprescindível dizer “não” quando o natural, a vida toda, foi dizer “sim” ou “talvez”. quando é hora das coisas serem diferentes, pra tudo seguir bem. ou tentar que seja assim. tomar as rédeas. ter consciência de que se está sendo sempre igual a 1 ou 2 ou 5 anos atrás pra fazer com que a evolução se faça.

no início apaixonado de um relacionamento, quando é tão fácil só curtir e fazer DE TUDO pra que a pessoa fique do lado. mas não é essa a idéia. e há sempre um momento em que se faz a escolha ou a separação: do que é problema “seu” e o que é problema “nosso”.

no início apaixonado de um outro relacionamento, quando a recomendação é só curtir, pra descansar dos jogos de cintura necessários e ainda tão recentes.

no início de um novo relacionamento antigo, quando a consciência da vida, com todos os seus pilares imprescindíveis, provoca mudanças positivas. a lente se abre e tudo é maior, como sempre prazeroso, e mais completo. porque a vida é assim: cheia.

na aceitação de um relacionamento que talvez nem exista, mas que deve ser respeitado e aproveitado. porque, afinal, há tantas coisas a mais com o que se preocupar!: família, trabalho, amigos...

há coisas a serem tratadas com filosofia oriental.

21 março 2006

arquivo morto


tenho uma memória que não precisava ter. lembro de coisas inúteis, como o telefone da manicure ou da copiadora ou da ginecologista. lembro que fui a um show da xuxa em 15 de outubro de 1988. lembro de datas absurdas, como a data em que fiquei com um menino há uns 11 anos atrás. lembro que meu último namoro começou e terminou com a mesma roupa. lembro de conversas inteiras no msn e fora dele. frase por frase. sou capaz de transcrever. como se interessasse pra alguém ouvir.

lembro e penso demais. frito o dia todo com um milhão de coisas. e na minha condição de geminiana que quer apreender tudo ao redor, minha memória traz algumas coisas de vez em quando que me fazem “atinar” para situações ocorridas há tempos. como outro dia em que me lembrei de uma marca de unha nas costas de um ex-namorado - que me encheu de chifres (odeio a palavra, mas...) - que eu deixei passar. não pedi maiores explicações, nem nada. era mais nobre cegar.

e olha que era daquelas unhas cravadinhas, sabe? sem arranhão. só a unha cravada. como assim minha memória me prega uma peça dessas num sábado de manhã enquanto eu assisto pela 56ª vez a “um sonho de liberdade”?

não dava pra ter uns neurônios a menos, não?

20 março 2006

rainha de copas


tem gente que nasceu para ser princesa e tem gente que não.
sem ser plebéia, tem gente que está para rainha.

tem gente que está para lady di,
embora tenha gente que está para "queen" elizabeth:
soberana, apaixonada, poderosa, devassa.

(por priscilla)

15 março 2006

soundtrack


"still a little bit of your song in my ear
still a little bit of your words I long to hear
sou step a little closer to me
so close that I can't see what's going on

stones tought me to fly
love, it tought me to lie
life tought me to die
so it's not hard to fall
when you float like a cannon..
stones tought me to fly
love tought me to cry
so come on courage!
teach me to be shy
'cause it's not hard to fall
and I don't wanna scare her
it's not hard to fall
and I don't wanna lose
it's not hard to grow
when you know that you just don't know"

trilha de tardes suspirantes...

14 março 2006

novo março


a trilha do filme “o fabuloso destino de amelie poulain” é uma das coisas mais bonitas que eu já ouvi. e desperta em mim sentimentos lindos e esperançosos de uma época em que a vida se bastava num amor. coisa de contos de fadas, de príncipes encantados. coisa de livro mesmo ou de história de disquinho de infância. e é quase estranho que tudo isso não venha ligado a fatos ou pessoas. só uma sensação. de que já vivi numa época que mais parecia sonho. que acho que nem quero de volta.

hoje gosto da mão pesada e das contas a pagar.

09 março 2006

recomendo! recomendo! recomendo!


http:\\pimentabiquinho.blogspot.com

blog da carol! impressionante como ela consegue colocar textos e transformá-los juntos numa coisa só, dando unidade a um tema, um assunto. enfim, é pra ler e ler e ler...

sobre o dia 8


confesso que ontem tentei escrever algo pra postar. pra comemorar de certa forma o dia internacional da mulher. queria ter recebido flores... essas coisas de mulher romântica (hihihi), mas ainda não foi nesse ano. enfim, acabei não escrevendo nada, mas hoje, li um texto que queria ter postado ontem. porque, afinal, para nós nada melhor que eles!

"é um grande erro esse negócio de "dia internacional da mulher". mal liguei o computador hoje, e recebi a enxurrada costumeira de poesias e bobagens sobre o tema. nenhuma mulher cabe num dia. nem numa semana. mulheres são lunares. circulares. quando você pensa que entendeu a cabeça delas, está redondamente enganado, seduzido pelo rabo.
se é que vocês me entendem, sem malícia. e com malícia.
não há dúvidas. elas foram injustiçadas durante séculos de ignorância. especialmente pelas igrejas em geral. tratadas como demônios, que na verdade são. mas deram a volta por cima. partiram para o mundo dos negócios e demonstraram sua força localizada num eixo muito além da debilidade e infantilidade do pinto murcho dos machos.
depois desse furacão revolucionário feminino dos últimos 30-40 anos, que dizimou grande parte dos já poucos homens-realmente-homens, como elas mesmas gostam de dizer, agora querem nos salvar da extinção. talvez seja tarde demais, meninas. mas como verdadeiros micos-leão-dourado que somos, aguardamos resignados pelo vosso socorro.
e se elas me permitirem fazer um pedido, ainda de homem que ama as mulheres como mulheres, gostaria que a enfermeira que me prestasse os primeiros socorros fosse scarlet johanson, essa aí da foto, que está maltratando os corações em match point, recente e imperdível filme de mr. woody allen, nos melhores cinemas.
mulheres, permitam-me dizer aquelas velhas, desgastadas e sinceras palavras: eu amo vocês. no geral e também cada uma de vocês, no particular. o mundo é de vocês. feliz todo dia sempre. e se puderem, tenham compaixão de nós, últimos seres que insistem em ser homens sobre o planeta."
(por Marcelo Tas)

07 março 2006

diário vergonhoso


costumo tentar me enganar. só uns truquezinhos. umas brincadeirinhas... pra não ficar muito doida. e sou tão sem vergonha que publico isso por aqui, assim como conto pras minhas amigas.

acorda, assiste à televisão. mas não quer aquele canal. vai pra sala porque a televisão dela só pega dois canais. sai de calcinha e sutiã, (ah... é seu último dia sozinha em casa e ela dormiu assim pra comemorar e se despedir) meio se arrastando porque ainda era cedo, domingo e nem tinha nada pra fazer. arruma um cafezinho e se escarrapacha no pufe pra comer. daí, lembra que seu celular ficou no quarto e se sente vitoriosa por não ter carregado ele com ela pra sala. como se se esquecer dele por 20 min significasse não estar ansiosa por uma ligação. às 10h30 da manhã? tolinha... boba como ela só.

sai pra correr, almoçar, tomar café (correr = sair sem bolsa = sair sem celular). voltar bolha pra casa. entra e se joga no sofá. só 5 min, só pra fingir pra si mesma que não quer dar uma conferidinha no telefone. vai até o quarto, tira o tênis. não resiste e olha a tela do seu “tamagochi” com a carinha vesga. de um lado – oi uni, de outro – menu. tudo bem. ela já esperava isso mesmo.

o pivô do meu domingo toca. só notícias boas. ela aperta o “reprodução” do controle e diz pra ela mesma que está ansiosa pra terminar o filme. sim. quer muito terminar o filme. mas ri um pouco mais de tudo.

(taí. esse é um post como meu diário de 13 anos. vou morrer de vergonha de ler depois de algum tempo)

24 fevereiro 2006

thriller


não entendo mais o que se passa com as pessoas. não sei ser falsa, nem hipócrita. se não quero sair, não saio. não sei retribuir um “estou apaixonado por você” se essa não é minha verdade no momento. não sei dizer “meu amor”, se meu sentimento não é, no mínimo, perturbador.

tenho aprendido a não esperar das pessoas o que eu quero e sim, no máximo, o que elas podem me oferecer. tento ser honesta com todo mundo e o mais franca possível. mas é incrível. algumas pessoas teimam em querer e esperar e COBRAR de você o que elas estão acostumadas a ter dos outros. (só pra constar, ne?! porque eu acho que está difícil de entender: se não me conhece, não finja me conhecer).

homens que já encheram suas namoradas de chifres, de humilhações e outras “cositas” mais enviam emails repletos de cobranças, cometendo os absurdos de PERDOAREM suas ex por sei lá o quê. ou se mostram chateados apenas pelo fato delas não serem tão crianças ou tão loucas ou tão atormentadas quanto eles. porque, afinal, pessoas doidas gostam de “esquizofrenizar”. ou homens casados, com filho, pra quem você deu uma vez só, há milênios tem a coragem de dizer que não é feliz com a mulher e que você é tudo que ele sempre quis. que se arrepende do pé na bunda do passado.

queria ser mais doida e carregar um monte de gente comigo. ora, vai te fudê!

(peço desculpas aqui aos meus queridos freqüentadores do blog pela quantidade de palavrões soltos por aqui recentemente)

22 fevereiro 2006

e viva o ditado popular!


é pra se envergonhar. você sempre tão livre dos preconceitos. sempre aceitando tudo de cabeça aberta, sem se assustar com nada. e o maior teste de todos. a maior rasteira de todas. nada melhor.

no meio de tantos “moços bobos”, cultos e cheios de graduações, uma surpresa cheia de delicadezas, cuidados, atitudes viris. cheio de desejo, escancarado, como a primeira abordagem despretensiosa!

e não há medo de que se assuste ao primeiro sinal de independência! porque antes disso, o que surge é a admiração, o elogio! o mínimo: para o ego, a auto-estima, o corpo saudoso, as noites de sábado.

menos inspiração, mais transpiração


ao fundo: “esquece o nosso amor, vê se esquece/ pq tudo no mundo acontece./ e acontece que já não sei mais amar assim./vai chorar, vai sofrer. e você não merece. mas isso acontece!”

_ imagina a loucura desse homem quando compôs essa música?
_ se alguém fizesse essa música pra você, você casava na hora, né?!
_ que? que nada! eu ia corre que nem diabo da cruz...
_ ah... aposto que casava em menos de 24h.
_ eu ia achar que ele era doido, psicopata! você não está entendendo o tamanho do calejo! [risos]
_ sério? é. não dá mesmo pra entender as mulheres. fazer o que, né?! difícil com elas, mas impossível sem elas...
_ [risos]... e olha que eu sou a mais romântica de todas nós!
_ [???] [olhares confusos]
_ [beijo que diz: não se preocupe... está tudo bem]

realmente: o mundo está perdido e estamos todas loucas! ainda bem...

08 fevereiro 2006

só pro meu prazer


sentimentos nobres são ótimos. fazem com que você se sinta bem consigo mesmo, te fazem uma pessoa melhor. além de, teoricamente, garantirem um lugar melhor depois de morrer. só que nobreza passa longe do prazer, sensação indispensável nesses dias de “olho por olho”.

e quando a oportunidade do prazer aparece, só resta aproveitar, pensar só em si mesmo e ficar se deleitando com a conquista. ou você prefere ser passado pra trás? feito de bobo mais uma vez?

o quê? namorado ainda amado procurar a ex só pra dar uma trepadinha? tem que levar catracada. passar vontade enquanto ela passa o sabão. toma distraído!

06 fevereiro 2006

prefácio


ansiedade é péssimo. faz a gente tentar ficar vivendo um passo a frente, sem olhar ou provar as delícias do presente. há que sempre cuidar para que ela não roube os momentos de espera, de passo lento, de plantio...

***

e ela insiste em tentar achar os homens de sua vida. e se angustia se os sinais não são óbvios demais. se a sutileza, o cuidado, o cavalheirismo são as palavras de ordem por agora. e ela permanece brigando consigo mesma, para que consiga aproveitar o ritmo compassado da novidade, sem atropelar os acontecimentos. sem querer viver tudo de uma vez, em segundos.

conselhos: aproveite o braço mais apertado na cintura. o ritmo acertado, sincronizado da dança. as conversas ao pé do ouvido. os frios na barriga adolescentes (assim como a mão trêmula só de olhar). a relutância em olhar nos olhos. o aperto na mão que guia o compasso. as dedicatórias disfarçadas. os encontros marcados veladamente. os assuntos em comum. os sorrisos encantadores. e aguarde que tudo tenha seu tempo. e suspire, como sempre.

19 janeiro 2006

heroína póstuma


e, de repente, a não querida, a difícil, a carrasca vira vítima, se torna deusa. e como ter de morrer pra se tornar herói. não gosto disso. revejo muitas das minhas opiniões, mas não a esse ponto.

entenda o fim de uma história como o fim de uma vida. há quem aceita, segue a vida, toma outro rumo, outra história. e há os inconformados. que não podem ver a vida seguindo e teimam em ressuscitar assombrações. não conseguem seguir em frente e ficam com os mortos pra que tudo em volta fique congelado. nem pra frente, nem pra trás.

eu tenho medo de assombração. principalmente das de verdade. tento ficar longe dos cemitérios porque minha vida só tem uma direção. olha pra um lado só.

tudo em família


são três irmãs como gerações de um mesmo modelo? que se sobrepõem em qualidade, tecnologia, inovação?

me pergunto que qualidades são valorizadas para a turma da mãe, ou para os colegas do irmão. ou o novo cunhado.

já cansou essa coisa de tentar agradar. isso não existe mais. mas e quando a naturalidade não é o bastante? ser você mesmo não te faz interessante, a mais querida. sempre há alguém a dizer que há pessoas diferentes, que vão ver de forma diferente. mas são “conversas” que não dá pra engolir. é o senso comum, meu filho! implacável!

18 janeiro 2006

gosssssssip [:O]


há duas maneiras de alimentar as fofocas. uma é anunciando tudo que se faz, fazendo com que as pessoas saibam o que você faz, pensa, com quem anda, com quem não se dá... todo mundo “careca de saber”.
outra é não dizendo nada: criando uma barreira em torno de si. é a primeira reação às fofocas maldosas. apagar os scraps, não falar sobre a própria vida. só que não funciona. porque aguça a curiosidade das línguas afiadas.

e também há duas maneiras de lidar com as fofocas. uma é ligar pra tudo que falam, espalhar as notícias mal contadas. chatear-se com o quanto falam da sua vida ou maquinam só pra arrancar uma infomaçãozinha... a outra é fingir-se de bobo. que não é com você. balançar a cabeça, dizer monossílabos, com a consciência de que a vida é sua e pronto. você segue vivendo. em paz.

10 janeiro 2006

filhos pródigos


sair de casa. fácil! trabalho, estudo. tudo tirado de letra.

voltar pra casa é mais complicado. a mudança sofrida nem sempre é bem-vinda. e tem que ser? a falta de ritmo das conversas. precisar soltar um sorriso não amarelo enquanto rolam as piadas sobre sua roupa fashion. ou nem soltar nada – nem isso, nem som – ao ter de ouvir qualquer música: “ah, deixa a que estiver tocando...” ou quando não dá pra separar a carne desfiada da farofa. e tudo cheira a bicho morto.

voltar é ver tudo igual quando no outro mundo, tudo muda o tempo todo, o tempo inteiro. e ter que preservar o silêncio. afinal, não é mais o lar. as pessoas têm uma vida. e quem é o filho pródigo pra “botar banca”? resta lamentar em conjunto, na família de escolha... e fazer café com açúcar. só pra rebater!

08 janeiro 2006

keep going


"é como ver fred astaire dançar. parece tão fácil..."

04 janeiro 2006

confissão


ainda é estranho você tão perto. tão próxima. tão íntima. e me pego com sentimentos que não gostaria de ter. engraçado, mas eles sempre vêm com você por perto. mas também tenho boas sensações. principalmente de paz quando tudo corre bem. penso que pode ser alívio. e confesso que, em alguns momentos, me vem uma vontade de que você vá embora. mas não é por não gostar da presença – na verdade, sua voz, sua imagem, sua presença tão “enchedora” faz com que eu tenha que conhecer a mim e a você. aprendizado de como conviver com pessoas que não são almas gêmeas. e acredito que daí venha o valor... coisas difíceis são mais gratificantes.

aí, você vai embora. eu quase acho ruim (note que estou sendo sincera de uma forma quase crua). parece que vai faltar uma aula pra minha semana. e arrisco a dizer que queria você aqui pra te levar comigo pro samba, pra gente exercitar a gente. acho que vou sentir falta da presença gorda, dos assuntos que me canso de ouvir (e que às vezes só finjo que escuto). da naturalidade de quando contamos os casos da infância, quando não há mais tom de competição, nem inveja. eu sou uma. você é uma. e a gente se ama: cá do nosso jeito esquisito... mas é assim que é. tem que aprender pra aceitar.

(pra alguém que me faz acreditar em destino, em vidas, em evolução do espírito.)

16 dezembro 2005

equilibrista


me falta um pilar.
uma sorte.
um lado.

pra quem chorar quando tudo mais parece escuro?
minha tríplice está manca.
dois pés, corda bamba eterna.

me falta uma sorte.
um calço.
sigo capenga.
e vou e vou. assim mesmo.

14 dezembro 2005

abrindo o baú


ganhei mais um fantasma. inusitado e inesperado. nada planejado.
quase vergonhoso, pra mim tão “culta”...
encasquetei e pronto.
perna bamba, coração acelerado, mão tremendo...

se eu queria? nem sei.

complicado. difícil. escorregadio.
guardo no baú dos mal resolvidos? ou quebro cabeça?

apaixonandinha... q brega!

13 dezembro 2005

por cima de mim


de tempos em tempos, acredito que as pessoas se vêem diante de paradigmas sociais a serem superados. já vi minha mãe fazer isso um milhão de vezes. a filha falar que beijou um menino hoje, outro depois de um mês. ou chegar e falar: “mãe, transei com meu namorado”. ou anos mais tarde: “sim, mãe, estou transando com ele, mas ele não é meu namorado”. me impressiono sempre de ver como ela engoliu e digeriu tudo e aceitou e compreendeu. sem preconceitos.

me pergunto o que farei quanto chegar a minha vez. quais serão os tabus que terei de superar. minha filha vai trazer um namorado ou uma namorada? e no mês seguinte? vai me apresentar um homem ou uma mulher? vai ser só um por vez? e as drogas? vou ter que admitir que são normais e inevitáveis quando, pra mim, são inaceitáveis até o álcool e cigarro? me questiono quantas mil vezes vou ser pega de surpresa.

conversei com minha mãe outro dia sobre isso. ela me disse que essa coisa de bissexualidade é falta de religião. ando tão sem noção que sou incapaz de dizer que discordo dela. é. talvez as pessoas tenham mesmo seus limites...

que eu esteja pronta para as surpresas.

10 dezembro 2005

tudo de mim


tenho que me corrigir. é verdade. tudo aqui tem muito ou tudo de autobiográfico. é inevitável. qualquer coisa que sai de mim tem muito do que eu sou.

além disso, os assuntos "para cá" surgem de acontecimentos, fatos da vida - minha ou das pessoas perto de mim. muitas coisas são sugeridas, mas tudo é sempre muito carregado do que eu penso, já que a palavra final é sempre minha por aqui.

mas em breve, a palavra de outras pessoas por aqui. (ouviram meninas? estou esperando os textos...)

07 dezembro 2005

irresistíveis


me intriga entender o poder que algumas pessoas possuem. de manter as outras ali. uma atração irresistível, um enlace em tudo que chega perto. como ímãs. pessoas que encantam e são incríveis. e têm carisma. impressionante.

talvez essas minhas dúvidas tenham a ver com meus sentimentos obscuros de ultimamente. ou de sempre. de que, ao contrário das pessoas “irresistíveis”, há as substituíveis. interessantes, mas não imprescindíveis.

e quase não arrisco dizer que me sinto como essas segundas, por medo de que meus queridos me desmintam. ou me repreendam.

mas, na verdade, invejo as pessoas necessárias. sem as quais não dá pra viver sem. que aparecem e roubam a cena. os homens ou mulheres caem aos seus pés. sempre cheias de opções, de saídas. ali. abertas, caso se cansem do caminho de lá.

03 dezembro 2005

falando sozinha


[pensando racionalmente]

_ não serve pra p.f., não serve pra casinho, não serve pra namoro...
_ e tem que servir?
_ ué? não tem não?

[cansada]

quente e amargo


nem foi tão fria assim, na verdade. foi bem quente e amarga. os frios na barriga, a perna banba. e é estranho que algumas coisas tenham que ser feitas. por mim, pela honra.

apesar de fácil, não teve muito de prazerosa. havia um pezar, um lamento pelo outro. pelo que podia ter sido bom, fantástico, promissor.

difícil gostar, entender o inexplicável. decifar o interesse por sei lá o quê.

talvez a certeza de que tudo foi feito certo venha no futuro, com as atitudes e as reações. talvez venha o prazer.


já a vingança de hoje é fria, gelada. cheia de prazeres e deleites. espera longa, quase sem interesse, depois de tantos anos.
::causar estranheza::ser o centro das atenções::causar inveja::ignorar os olhares::
::quem é essa?::de onde veio::que venham os maus agouros::


já o resto, espero a segunda e vejo no que dá.

29 novembro 2005

escondo-me

se vc tem

::depressão::síndrome do pânico::problemas graves de família::amores mal resolvidos::ex-namoradas loucas::é casado::tem filhos::mãe ciumenta::tem namorada::não trabalha::não estuda::usa sapato de balangãdã::gosta de sertanejo::gosta de axé::eu nunca olhei pra vc::

favor, se vir alguém parecido com a foto, finja-se de morto, fique imóvel, ou eu me escondo...

24 novembro 2005

subir bahia...


- comprar pipoca de carrinho e confirmar que o sal dela é perfeito. (acho que vai virar hábito)
- ver um moço conversando no celular com fone, gesticulando os braços (livres por causa do fone) e parecer que ele está falando sozinho!
- andar no meio da rua porque a calçada é só barro
- ouvir a pior cantada de todas: "só falta miar!"
- ver um menino com o cabelo mais liso de todo o mundo, cortado de cuia. ele andar na sua frente e cabelo balançando: flopt, flopt...
- mandar e receber beijo mandado. de mão! mmmmmuuaaahhh!

22 novembro 2005

“eu espero tudo de todos e nada de ninguém”


a frase aí de cima é a filosofia de alguém que leva a vida assim: aceitando o que vem por aí. quase parada. a vida passando na frente. sem andar, sem procurar nada. (aliás, sabe o que quer?) as coisas, ou pessoas, ou oportunidades aparecem e aí são avaliadas, aceitas ou descartadas... numa linha reta. sem perda de tempo, sem perda de energia.

e tem gente que faz o oposto. vai andando, se surpreendendo com os caminhos tortuosos, descobrindo “cantinhos”, andando em linha reta quando lhe convém. sempre buscando... muita “bateção” de cabeça. muito frio na barriga. muito amor. muita confusão também. e muita história pra contar... cheia de permeios.

fico com a segunda opção. que me perdoem os seguros...
“i’m a believer!” (rss)

21 novembro 2005

reinventando...


"Now I've had the time of my life
No I never felt like this before
Yes I swear it's the truth
and I owe it all to you"

[rsrsrsrs]

07 novembro 2005

ensina-me a viver


ensina-me a viver
diga-me coisas interessantes sobre cinema, livros e música
que até de dou uns beijinhos no fim de semana.
quem sabe até não transe com você?!
conte-me como foi sua trajetória de vida
que eu me encanto e te admiro...
ensina-me a viver?


alguém me emburrece, pelo amor de deus?

06 novembro 2005

sem sinal de férias


à hora de decidir a vida, nem há muito no que pensar. vamos lá. estudando, estudando, tentando enganar-se o mínimo. sem saber se o cansaço é real ou também é inventado.

sem inspiração pra absolutamente nada. com preguiça de pensar sobre questões amorosas, masculinas ou pessoais. sem saudade de ninguém. praticamente uma zumbi.

ué?! as pessoas sumiram... será por quê?

post atrasado


muita gente andou lembrando e pensando em mim ultimamente. por várias vias virtuais. tenho medo quando as pessoas pensam em mim. isso nunca acontece com frequência. principalmente, quando as repentinas aparições vem de direções a serem deixadas pra trás.

assim, sigo.
"santo anjo do senhor, meu zeloso e guardador..."
"anjinho da guarda, meu companheirinho, me leve sempre para um bom caminho"

amém

28 outubro 2005

teoria do mundo novo


apaixonar-se é ser apresentado a um mundo novo. é surpreender-se. só se apaixona quem é surpreendido. quando a pessoa que está ao lado tem coisas novas a dar. novidades andam raras.

desafio algum homem a fazer com que as mulheres se apaixonem.
desafio alguém a fazer eu me apaixonar.

21 outubro 2005

nada inspirada


Morna. Sempre assim.
Nunca amada demais,
Nunca odiada,
Nunca lembrada.
Às vezes esquecida
Por aqueles que sempre conhecem alguém parecido comigo.

Nunca arrebatando,
Mas sempre chegando aos poucos,
Cativando aos poucos,
Conhecendo aos poucos.
Fazendo-se conhecer,
Aos poucos.

Sendo amada a meia medida.
Mornamente adorada,
Mornamente querida,
Levando a vida meio feliz.
Meio triste. Meio termo.


(escrito em 07 de novembro de 2004)

17 outubro 2005

sobre traição


eu sempre me perguntei como lidaria com a traição. sendo eu tão compreensiva com tudo em minha vida, no que diz respeito às outras pessoas.

bem, na primeira vez não havia mais amor. pelo menos foi o que deduzi. minha decepção se transformou em indiferença e nem foi preciso o tempo para a cicatriz. continuei minha vida de um ponto que nem sabia que existia até aquele momento.

agora, me surpreendo comigo de novo. e aprendo muito de mim. percebo que a traição é algo definitivo. antes que eu pense nas razões, no fato, na humilhação, algo em mim desliga os laços, de qualquer tipo. amor ou ódio ou mágoa. tudo vira uma indiferença assustadora e redentora ao mesmo tempo.

melhor assim.

10 outubro 2005

vale a pena?

pré-requisitos para verificar se vale a pena investir num homem. este é um teste dividido em três etapas: política, sócio-econômica e estético-sexual. o homem deve responder sim a todas as perguntas. as duas primeiras etapas são eliminatórias, enquanto a última é apenas classificatória, dependendo da mulher. (rss)

político:

1. é educado?
2. é agradável?
3. é bom filho?

sócio-econômico:

1. é rico? é pobre? (um sim “demais” a qualquer das duas pode ser um problema)
2. tem curso superior?
3. é trabalhador?

estético-sexual:

1. é bonito?
2. é gostoso?
3. tem pegada?

confiram e vejam se não funciona?

06 outubro 2005

que (eu) descanse em paz


deixa eu ver. já avisei pra minha mãe e pro meu pai (se bem que o natural seria eles morrerem antes de mim. então, talvez, não adiante). já avisei pros irmãos e pros amigos mais queridos. se começar a namorar, tenho que me lembrar de avisar. nunca se sabe!

NÃO QUERO VELÓRIO! decidi isso outro dia, no segundo velório – enterro da minha vida. acho mórbido, acho desnecessário. acho quase bizarro. bem, se tudo corre como eu espero e acredito, o pessoa nem está ali no corpo mais. então, velar o que?

não quero pessoas rezando e chorando à minha volta, não quero rendinha por cima de mim. não quero vestir roupa depois de morta. não quero ninguém me alisando, enquanto todo mundo sabe que não vou sentir nada. não quero que entupam meu caixão de flores fedorentas só pra encher. vai que eu sou alérgica? nem poder espirrar eu vou poder.

então, já vou avisando, publicando. e que me respeitem. me enterrem logo. se querem me ver, vejam fotos. garanto-me mais corada, mais fotogênica, mais sorridente.

05 outubro 2005

colhendo material

nem queiram sabero motivo da vergonha conjunta! rsss

26 setembro 2005

silêncio


por que o silêncio é tão assustador? assustador em conversas não virtuais, ou no pensamento calado de alguém que sempre tem o que dizer. até mesmo nas atividades diárias, repletas de sons nos últimos tempos, a falta de sons tem me deixado incomodada.

minha timidez sempre tão silenciosa. agora já não é mais. nem sei se isso é bom, na verdade! gosto do silêncio, mas agora, ele me assusta. pelo que está por vir, o que vem depois.

22 setembro 2005

inexplicável


um nome, um homem
repleto de vogais.
uma toada.

o barroco e todas as suas contradições
o equilíbrio,
os ângulos, a sombra.
detalhes a serem desvendados,
o complexo sutilmente velado.

aguça a visão.
um homem, um complexo.
libra, uma vida.


(belo horizonte, 10 de maio de 2005)

20 setembro 2005

onde você vê...

(Fernando Pessoa)

“Onde você vê um obstáculo,
alguém vê o término da viagem
e o outro vê uma chance de crescer.

Onde você vê um motivo pra se irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para sua paciência.

Onde você vê a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa...

Onde você vê a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria total.

Onde você vê a teimosia,
Alguém vê a ignorância,
Um outro compreende as limitações do companheiro,
percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.
E que é inútil querer apressar o passo do
outro, a não ser que ele deseje isso.

Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.

Porque eu sou do tamanho do que vejo.
E não do tamanho da minha altura.”


o que dizer de textos que chegam a nossas mãos no momento exato em que estamos prontos para tirar dele o melhor. é bem possível que não me tocasse tanto há um tempo atrás. mas hoje, me emociona, me encanta ver a verdade estampada, escancarada na forma de um poema. gosto de perceber que há momentos feitos pra cada coisa. e nada mais nobre que a aceitação. aceitação do outro.

“você nunca sabe do outro”. lembro de alguém mais que especial me dizendo isso. na verdade, nem sei se foi a primeira vez que disse – provavelmente não – mais foi a primeira vez que escutei. e trouxe pra vida todas as conseqüências que essa afirmação tem. porque por mais que conheçamos alguém, há sempre algo a ser descoberto, a surpreender, a decepcionar. mesmo que as surpresas não sejam sempre boas, são válidas. tornam o outro interessante, instigante.

pra mim, mais que uma constatação, chega a ser uma lição, tanto para o modo como me comporto diante das pessoas, quanto para a forma que as vejo e as julgo. eu sempre me dei demais, me mostrei demais, falei demais, sobre mim e sobre meus sentimentos. e por mais que haja o que descobrir em mim, realmente, a imagem passada é limitada, esgota fácil. acomoda o outro. “pra que se emaranhar no desconhecido, se já conheço tanto?”

quanto ao outro, sempre tendemos enxergá-lo e julgá-lo pelo que pensamos. um erro. nunca vemos 100% de alguém. ainda bem. nada melhor que descobrir o novo em alguém já “de casa”. sendo assim, não me resta nada além de olhar pra dentro, compreender as mensagens que transmito, saber ler meus códigos, meus gestos, meus calores, minhas vergonhas, meus desejos. porque só assim poderei satisfazer a mim. porque sou interessante demais, e ainda tenho tanto de mim pra descobrir, que ainda não há tempo de olhar pra fora. uma lição.

àqueles que acham que me conhecem: não me tomem como estranha depois desse “post”, me tomem como alguém cheia de surpresas (é o que quero ser até o fim). é melhor assim. eu garanto.

19 setembro 2005

atendendo a pedidos

um beijo pela minha serenidade.
quero o tormento dos ares inseguros.
loucura e sangue.
sem pressa e devagar pra não deixar estrago.
em doses, overdoses suportáveis
e prazerosas.
com o tempo da digestão.
quero a paz nascente da ameaça
e não do acordo.
a segurança do risco de um pé só.
um céu com pimenta.


(belo horizonte, 06 de julho de 2004)

13 setembro 2005

fantasmas à solta, porém domesticados


incógnita é você.
há que se ficar lendo através,
ou tentando...
buscando as igualdades de gêmeos,
supondo no reflexo,
transpondo entreolhos.
sem sins nem nãos, só aceito o que vejo,

o que sinto e o que acontece.

(belo horizonte, 19 de junho de 2004)

08 setembro 2005

sobre cuidado

um amor é fruto de tantos pequenos gestos que chega a ser frágil, delicado e sutil. e, às vezes, a beleza está realmente nisso. em não ver. em construir sem alarde, sem ninguém perceber, silenciosamente, uma vida.
me emociona sempre ver poesia (como me ensinou Adélia) nos gestos mais comuns, mais simples. e no meio de tanta realidade que vivo, sou testemunha de uma história tão bonita quanto silenciosa, repleta de certeza, mas que passa desapercebida tantas vezes... tão bem guardada, bem cuidada. só em alguns momentos nos escapam certas belezas, nos cobrem de vontade e fazem acreditar que a vida pode ser realmente boa ao lado de alguém.
um passo novo. e me encanta tanto ver como o processo foi cercado de cautela, de cuidado, mesmo sem palavras. apesar de tanta ansiedade, normal em mudanças, um doce que diz: “calma. está tudo bem. vai ficar tudo bem! mesmo que não seja agora.”
e, assumindo minha condição de romântica, confesso que me enche de alegria ver as pequenas expectativas sendo atendidas, as promessas sendo cumpridas. sem pressa. as pequenas ansiedades do primeiro lanche, ou do primeiro bom dia. aquele frio na barriga tão bom!

“temos a semana inteira pela frentevocê me conta como foi seu diae a gente diz um p'ro outro:- estou com sono, vamos dormir!”

sejam muito felizes!

(ouvindo a trilha do “fabuloso destino de amelie poulain”)

06 setembro 2005

quanto mais eu rezo...

chamo de fantasmas, pessoas que passaram pela minha vida, não fazem mais parte dela mas que, independente da duração da convivência, não saíram, por motivos diversos. e ficam assombrando meus pensamentos, meus momentos vagos, seja em sonhos ou aparecendo de repente e bambeando minhas pernas. eu tenho dois. acho que para o resto da vida.

um deles é uma paixão de adolescência, mal resolvida, mal acabada, mal acontecida, na verdade. talvez uma grande invenção minha, fantasiando o príncipe encantado. e como era perfeito! o namorado, o pai, o genro, o filho que toda mulher já quis. e ainda tão bonito! me conquistou comendo chocolate na porta de casa às 5h da manhâ. nada mais romântico.

o outro é um amigo, hoje paixão nem tão secreta assim. fica lá, hibernando, até que surge uma brecha e volta a povoar meus sonhos. caso nem começado, nem resolvido. só uma vontade longe, longe...
a partir de agora, acho que não me permito ter fantasmas. já estou velha. e dá muito trabalho.