foto no muro
é tanta sinceridade que chega a ser bonito!
e tem tudo a ver com isso aqui.
postado por misha às 1:59 PM 3 comentários
muitas vezes ouvi uma amiga dizer que ficar bêbada é foda porque instantaneamente ela ficava rica!
pois é. no meu caso o problema duplica: é só beber que fico rica e magra!
postado por misha às 6:16 PM 0 comentários
teria que viver mais algumas vidas
alguns dias que teriam mais horas
pra alcançar o inatingível.
e me pergunto se o fim do túnel guarda
o que não sei se quero.
serão as gêmeas que moram em mim
que desejam tudo, saber, ter, ser tudo?
e é duro saber o que é meu,
o que faz parte dos desejos de um desconhecido,
de uma desconhecida vida que julgo almejar pra mim.
diante do juiz de paz que me tornei,
sigo a equilibrar os pratos.
e falta o ar, o fôlego...
e meus olhos se cansam de não piscar mais,
de não perder nada.
a sensação é de torpor eterno
porque a mão não alcança nada
numa dormência que só faz crescer.
e tudo está bem diante dos sentidos,
agora estafados.
postado por misha às 9:02 PM 1 comentários
olha, definitivamente, esse não é lugar legal pra ir. mas a gente vai mesmo assim. acho que fazia tempo que não andava por lá, mas continuava ouvindo relatos nada agradáveis de visitas das amigas.
o reino da fritolândia é um país de zero lucidez. e, normalmente, não há razão real para que ele se monte lá, firme e louco. não ligou, não respondeu mensagem? ou por nada mesmo. às vezes, só pela ansiedade de gostar. aliás, ele é um péssimo fruto da nossa urgência e ansiedade.
uma das amigas define o reino da fritolândia como a ilha de lost. um lugar que não faz sentido, que, quando você percebeu, já estava lá e, por mais que você tente, é duro de sair.
eu gosto de outra comparação. pra mim, é como o parque de diversões da história do pinóquio: você sabe que não deveria estar ali – já que tem afazeres. sabe que, no fundo, não é um lugar bom, sabe que é errado estar ali. e sabe que, no final, vai acabar com orelhas de burro.
bem-vindos!
postado por misha às 9:55 PM 3 comentários
[título alternativo: como pakalolo em calça jeans]
você que é mulher e está lendo aqui pode não saber, mas você tem carimbado na testa alguma coisa. ainda não descobri se é uma tinta invisível, em forma de tatuagem, ou alguma cor que se disfarça no espelho... mas está lá. algo que só os homens podem ver. pois é. é claro que eu não vejo e fico só especulando e matutando, tentando descobrir o que está escrito aqui na minha testinha ou simplesmente estampado tipo logo da “louis vuitton” em bolsa, ou “pakalolo” em calça jeans da década de 90.
olha, sei que não é legal, mas está aí. pra quem não acredita, vou falar da minha própria tatoo, porque meu telhado também é de vidro. a princípio, achei que a inscrição fosse “palhaça”, assim de cara, ficava difícil ser outra coisa. eu olhava pra minha vida amorosa e me via como a personagem principal de uma grande anedota!
depois, uma amiga constatou. o que está estampado feito “pakalolo” em mim é “pode”. vou explicar:
- pode te ligar pra gente sair? [pode]
- pode te dar uns beijinhos? [pode]
- pode parar de te ligar? [pode]
- pode te dever dinheiro? [pode]
- pode te enfernizar pelo msn? [pode]
bem, por aí vai, ne... não é assim difícil de entender.
mas também descobri que o sexo masculino também tem tatuado umas coisas. mas mulher tem mania de interpretar tudo e querer ler as entrelinhas. então a gente vê, lê e não entende. exemplo: tem homem que a gente olha e está lá, em letras garrafais: “garoto problema”. o que a gente faz? desconsidera, ou acha que dá pra melhorar.
outro caso bem comum: “fria”... assim tem um monte. você acha que a gente entende? nãaaao! parecemos até analfabetas. vai ver somos, né?
agora eu fico assim, cabreira... olhando e pensando: o que será que está escrito na sua testinha que eu não estou conseguindo ver, hein???
postado por misha às 10:40 PM 2 comentários
o que vejo são peitos pequenos
e pernas curtas e mais coisas curtas.
me pergunto de onde vem tanta delicadeza,
ou meiguice.
como pode batom vermelho fazer parecer boneca?
era pra ser sexy. ou não?
e o que você vê quando olha?
diminutivos, abreviações,
parte de algo que será adulto,
mulher, mãe, avó.
projeto, esboço, rascunho
que não é revisado, assinado ou concluído.
o que você ouve?
grave, agudo, doce, voraz...
você escolhe 30, 40,
ou fica com a candura?
escolho o que escolhi ser.
onde minhas leves, mas reais, rugas me trouxeram.
tenho história.
postado por misha às 9:22 PM 0 comentários
debinha é dona da margô, está de mudança pra londres e é uma lady! tem uma casa que é a cara dela, assim como seu blog!
vale a pena a visita!
http://laembabel.blogspot.com
postado por misha às 10:23 AM 0 comentários
lendo este post aqui, depois este, constatei que:
1 - é tudo verdade!
2 - sou uma serial mr. bigs woman!
verdade. vou tendo assim, um atrás do outro, desde meus sei lá quantos anos. e acho que, no fundo, eu alimento essas palhaçadas. ok! não acho nada disso palhaçada... na verdade, eu gosto. e acredito que, em parte, esses mr. bigs espalhados por aí (que eu sempre chamei de fantasmas, mas mr. big é um conceito muito mais adequado e divertido) são um jeito que a gente encontra de se sentir um pouco mais viva.
acho indispensável momentos e namoros leves, que não te privam a respiração, nem a concentração no trabalho. e já tive alguns assim, terra firme.
mas, de tempos em tempos, não dá pra não achar a melhor coisa do mundo a barriga esfriar, a mão tremer, taquicardia, os ataques de ansiedade (vide celinha). daí, vão aparecendo os mr. bigs e a gente vai gostando... vai alimentando... e vai sofrendo. ê beleza!!! (digo por mim, ô eu que gosto de sofrer, de um draminha)
daí, um dia canso e volto a querer um porto seguro. que pelo menos deixam a gente trabalhar, né?
postado por misha às 10:13 PM 3 comentários
eu faço academia. eu confiro quantas celulites eu tenho e me olho muito no espelho. se eu disser que não ligo pra minha bunda caindo, estou mentindo. trabalho a beça, sou competente, mas, como diria minha amiga marla, bom mesmo é ser cachorra. pois é, gente!
e, diante desta declaração, este post aqui diz tudo e um pouco mais.
"porque a gente não quer ser feliz, a gente quer ser feliz e gostosa."
postado por misha às 9:02 PM 7 comentários
me peguei pensando na certeza absoluta de que ele me amava. senão não havia motivo pra ter falado sobre mim com tanto carinho pra alguém tão importante na vida dele. e quis ser honesta, botar as cartas todas na mesa, me expor pra poder viver o grande amor que eu tinha certeza que seria pra sempre. teríamos filhos e visitaríamos a casa da minha mãe como uma grande família feliz.
mas pra isso eu preciso abrir meu coração e esclarecer que o desencontro foi um grande desencontro e sugerir que deixemos o passado pra trás pra podermos ser felizes pra sempre.
aí, por obra divina, lembrei que estava de tpm, primeiro dia de menstruação e falei pra mim mesma: "nada do que você pensar nos próximos 3 dias é confiável. não dê crédito às suas conclusões e de forma alguma confie em qualquer julgamento até a próxima segunda-feira."
postado por misha às 3:37 PM 1 comentários
"é melhor ficar com a tv desligada. ai meu deus! porque os vizinhos insistem em gritar. num preciso de tv ligada pra saber quando acaba o primeiro e muito menos o segundo tempo. ele vai pegar engarrafamento. aquela avenida sempre fica lotada. é. realmente o transito lá é pesado. 40 minutos de tolerância. e se nesse tempo ele não ligar? ok, sem problemas. é só continuar com o plano inicial. não ligue mais. azar! se ele não ligar é porque será melhor assim. aí a vida segue normal. sem dificuldades. 60 minutos além da tolerância. num é possível que ele não ligará. num tem engarrafamento que perdure isso tudo. já ta quase começando o fantástico. telefone. putz, agora num tem jeito. e o cinema com a amiga? mas e se ele ligar depois de ter saído pro cinema? ok. ë só ligar e perguntar. mas e se ele num atender? ok, ok! tem que ser agora. telefono: “ei! e aí como foi o jogo?”
afinal, tem 38 dias que estão nessa. logo, nenhuma cobrança é pertinente. ai ai. mas e se mandar uma mensagem e ele não responder? caaaaaaalma. as ultimas que foram enviadas, foram respondidas em tempo hábil. tem até aquela que foi enviada durante o jogo e ele respondeu na mesma hora. ok. ele num ficará sem responder. aliás, pelo menos é melhor pensar assim. então vai lá: “ei! tô com saudades. como você está?” ai que ansiedade. cronômetro correndo, celular checado de 3 em 3 minutos. em pouco mais de 20 minutos chega a resposta. vamos ver se a história evolui. mas como? se ele num convida, vou ser mais incisiva. vou propor duas opções de data e vamos ver se responde. “vamos nos ver na terça ou quarta depois da sua aula?” 10...15... 50... 1000 minutos sem resposta. num é possível. ele num vai responder? ele pode num ter recebido. essa operadora deve estar doida. mas e se recebeu e num quer responder mesmo. de repente é um sinal. ele está me cortando. queimou no golpe!!!! não quer me ver mais e nem pra ter coragem de falar. é por isso que num responde.
tenho certeza que ele não atenderá ao telefone. é melhor ligar de outro número. nãaaaaaao! pára com isso! depois vai ficar achando que ele só atendeu porque não era o seu número. então ta decidido. ligar do número que ele tem armazenado e seja o que deus quiser."
postado por misha às 7:21 PM 0 comentários
estou a menos de uma semana do meu aniversário e esta nunca é uma data muito confortável. quem não acredita que me desculpe, mas fico em inferno astral. achei que não teria este ano, mas cá estou. o bom é que sei que em menos de uma semana, vai passar e eu volto a ser eu mesma. esperançosa e crédula.
fico repetindo aos quatro ventos que quero, um dia, ter família, com marido, filhos, casinha...etc: pacote completo. mas, nesses dias difíceis, tenho estado amedrontada, com a idade, com o tempo que tenho, com o quanto ainda a ser feito. e sempre me convenço que tenho tempo. e digo que tenho tempo a tanto tempo.
e aí, abro a veja especial mulher, de maio deste ano, e vejo uma reportagem falando de filhos e que como é melhor pra mulher, para o filho, para a gravidez, que esta aconteça antes dos 35 anos.
e me pego, como tantas mulheres que já critiquei, aflita pra que tudo aconteça. patética. sem saber a direção ou as vontades certas. uma mulherzinha com tanto a fazer.
postado por misha às 8:30 PM 2 comentários
postado por misha às 9:15 PM 0 comentários
este post é o segundo da série. ele nem era previsto desse jeito, mas aconteceu hoje de manhã e foi sensacional!
hoje uma senhora de 88 anos na padaria e ela veio conversar comigo, dizendo que estava morrendo de frio. olhei bem pra ela. pequena e magrinha, miúda mesmo! cachecol, trenchcoat, maquiagem toda borrada porque ela não deve enxergar direito mais. mas maquiada às 8h da manhã, tomando um café com leite na padaria.
ela comentou do frio e me perguntou se eu era casada. eu disse que não. daí ela falou que, então, talvez eu não entenderia. que o marido dela nem ligava se ela estava com frio, que, apesar dele ser mais velho, ele era homem e ela era muito pequena e magra, então devia cuidar dela. mas que, ao contrário, quando ela reclamava, ele dizia que também estava e que: fazer o que, né?
fico pensando o quanto ela estava indignada com essa história pra desabafar com estranhos na padaria. claro que imagino que o marido deva ser um velhinho bem velhinho também morrendo de frio. mas sou daquelas que acha que mulher não pode coçar o saco e que homem tem que ser meio protetor, tem que cuidar... nem que seja pra manter alguma diferença entre os sexos.
postado por misha às 1:36 PM 0 comentários
inicio aqui uma série de posts de indignação em relação a algumas coisas que tenho visto ultimamente.
o primeiro deles é sobre o comportamento na balada.
me impressiona muito como os homens se comportam como machos no cio e param de raciocinar ao ver uma calça justa, um cabelo grande, um batom vermelho. me espanta ainda mais constatar como eles, mesmo depois de séculos de convivência, ainda não sabem lidar com as mulheres.
pergunta 01: será que eles realmente acreditam que puxar uma mulher pelo braço vai fazê-las instantaneamente quererem dar pra ele?
pergunta 02: há algumas regras que devem ser seguidas, mesmo que implícitas, e que a maioria dos homens simplesmente ignoram. se uma mulher não notou a sua presença, há uma chance de uma em milhares que ela aceite sua investida.
e, como dica, deixo aqui algo que uso com freqüência, digo por experiência própria, saiba qual é seu poder de alcance e se contente com ele ou se impressione com exceções (eu disse exceções). mas não ache que você é o gerald butler.
mas se você fez tudo aí em cima e ainda se deu bem, escreva um livro que vai vender e você vai parar no jô.
só pra constar, este e os outros que virão não são posts contra os homens. adoro os homens. só acho a raça meio patética. necessária, mas patética.
postado por misha às 11:11 PM 6 comentários
outro dia, expliquei ao meu namorado a função de cada um dos meus novos pincéis de maquiagem.
_ este aqui é pra pentear as sobrancelhas.
_ pentear? arruma assim, ó! (ele lambeu o dedo e “penteou” a sobrancelha... rsrs). isso é pra limpar carburador. ó que bão!
_ olha o blush que eu comprei... lindo, né?
_ pancake! pancake?
_ não! blush!
_ gosto de falar pancake! pra mim é tudo pancake!
_ esse aqui você conhece, né? curvex...
_ sei! quero ver o dia que vocês vão prender o olho nisso aí!
notou o abismo?
postado por misha às 11:55 PM 0 comentários
todo mundo sempre me disse que eu devia ser independente. que não podia depender de homem. ok! e eu estudei e estudei, trabalhei horrores e, logicamente, faltou tempo pra outras ciosas. tempo pra aprender ou falta dele pra dar valor.
as pessoas a minha volta se preocupavam tanto em me ensinar a importância de ser alguém que faltou me explicar a ser mulher, feminina, como se só o fato de eu nascer sem saco me impedisse de dar uma cocadinha.
costumo fazer piada dizendo que o namorado da minha irmã é um príncipe e sempre fiz piada de que ela é impecável pra ele: unha feita, cabelo lindo, depilação milimétrica, lingerie sob medida.
outro dia, meu namorado chegou em casa e encontrou a namorada:
- blusa velha de arrumar casa sem sutiã
- short
- piranha segurando a franja (tipo xuquinha... meio yorkshire)
- unhas (de modo geral) sem fazer
- 3 dedos pintados, cada um com um esmalte pra um teste de cor
- por debaixo dos panos (depilação por fazer)
(linda, né)
toda vez que ela vai se aprontar, escolhe o sapato/blusa/calça mais confortável que pode haver seja qual for a ocasião.
saiu com pressa, de roupa amarrotada e sem brinco
a noite foi péssima. acordou e não se olhou no espelho antes de sair.
mesmo que a noite não tenha sido ruim, acorda e não se ilha no espelho antes de sair.
sai pra dormir fora de casa e não leva nenhum creminho, nem uma camisetinha bonitinha pra dormir.
não passa uma pomadinha no cabelo há mais de 1 mês.
tem 5 sapatos de salta que não saem da gaveta.
numa festa, ela vira a garrafa (600ml) pelo bico.
e você? já deu sua cocadinha hoje?
postado por misha às 9:35 PM 1 comentários
desde que deixei de escrever assiduamente por aqui muita coisa mudou. meus cabelos estão maiores e crescendo, uso brincos maiores e uso menos salto. passei a usar shorts para quase todas as ocasiões, faço minhas sobrancelhas com mais freqüência e passei de cera a depilador elétrico. tenho mais roupas no cabide, cores no quarto e um laptop, do qual escrevo este post. fui a europa, fui a europa sozinha e comprei em brechós. passei do esmalte gabriela, passando pelo gabriele até chegar no malícia, do vermelho ao rosa alaranjado. fui loira, de reflexo e, depois de anos, ostento um longo (no meu ponto de vista, lógico) cabelo na cor natural. uso menos colares e mais pulseiras, uso mais vestidos e nado 1500 metros quase diariamente. aprendi (e aprendendo) a dançar a dois, mesmo que meio dura às vezes. minhas amigas dizem que tenho o céu limpo, que sou serena e sensata e talvez isso seja verdade e deva-se a isso minha ausência por aqui. enlouqueço menos com diversas coisas e aprendi a acreditar em ações. aprendi a conviver com a falta de “eu te amos” e declarações de amor e aprendi a pedir o que eu quero e quando quero, mesmo que o que eu queira seja uma declaração de amor. meu pecado continua sendo a preguiça e continuo amando josé saramago e alta fidelidade. confesso que tenho escrito pouco e que escrevo mais e melhor em épocas conturbadas e angustiadas e que isto que lêem é uma exceção.
pretendo voltar e me esforçar pra que este lugar continue recebendo textos de qualidade. talvez vocês leiam aqui declarações de amor ou sobre coisas que me façam viver melhor minha vida de namorada. vou continuar falando sobre homens porque o gênero continua tendo uma importância imensa na minha vida. e sobre as mulheres porque acredito que fazemos parte de uma geração que desaprendeu algumas coisas sobre ser mulher e é esse assunto que tem tomado minhas longas conversas.
postado por misha às 10:33 PM 0 comentários
ou você divide sua vida
ou não divide a dor,
a dúvida, a angústia.
não carregarei
nem você nem sua bagagem.
assuma o peso e deixe ficar o supérfluo,
concentre-se no essencial
no passo adiante, no futuro.
eu com minhas coisas,
frente a frente,
disposta a remanejar
a dor, a alegria, a realidade, as víceras.
não tenha medo que eu cuido das suas feridas
pra você dormir tranquilo.
postado por misha às 7:04 PM 3 comentários
sempre me considerei uma pessoa com noção. com noção do certo e do errado, com noção do que é educado e do que é indelicado, com noção do bom e do ruim. num belo dia me deparei com uma mudança de valores, meus valores.
marquei uma viagem de negócios numa cidade próxima a belo horizonte. viajei de ônibus, pois não dirijo em estradas. realizada a reunião procedi em retornar imediatamente. um dos clientes me ofereceu uma carona, pois como já disse não dirijo em estradas. foi nesta carona que descobri o inusitado. paramos por um momento para encontrar outro caronista, que também era cliente, e assim como eu provavelmente não dirigia em estradas ou queria economizar uma gasosa. o cliente caronista é um homem de meia idade, obeso, fumante e muito bem-humorado. antes da entrada dele no carro, como se nada nem ninguém tivessem observando ele tirou de uma sacola uma camisa e de repente, não mais que de repente trocou de blusa na nossa frente, no meio da rua. ficou sem camisa e colocou outra menos suada. até que a atitude foi bem intencionada, mas eu achei um pouco “sem noção”. após a entrada no carro ele tirou um perfuminho da mesma sacola e deu umas borrifadas nele e claro em todos os demais presentes no recinto, o carro. falou que adorada aquele perfume e achava fundamental que todos andassem com um perfuminho a tira-colo. achei um pouco “sem noção”; não o fato do perfume a tira-colo mas sim as borrifadinhas nos demais presentes, afinal gosto de perfumes, mas dos meus. finalmente ele deu o golpe final, tirou um cigarro do bolso, acendeu e começou a fumar. nesta hora o carro já estava a 90km/h o que desviou a fumaça diretamente para as minhas narinas. dei umas tossidinhas, mas como fiquei tímida me contive. foi então que ele começou um prólogo interessante em meio a baforadas: - “... nossa gente, fiquei impressionado com a diretora da escola! como assim o sinal bate às 12:50hs e ela sai às 12:45hs? nossa senhora, ela é muito sem noção!!!!!” neste momento minha cabaça começou girar e pensar...perái, como assim ele tira a camisa na rua, dá borrifadinhas nos demais presentes, entope minhas narinas com fumaça e a diretora que é sem noção?
cheguei a uma conclusão: nunca mais falarei que alguém não tem noção, eu é que não tenho a noção da outra pessoa, ou sou eu a sem noção da história.
cynthia dias
postado por misha às 7:59 PM 0 comentários
um texto por priscilla, sobre liberdade, lucidez e hemisférios.
"acho que melhor. o pior ao bicho homem é o poder das possibilidades: o poder de poder. a possibilidade liberta o homem. o faz ziguezaguear por todo e qualquer caminho, o que a meu ver é o verdadeiro sentido do poder, do estar. fazer da vida a sua sala de estar, daquelas bem casa de vó, onde você pode assistir ao programa do luciano huck num preguiçoso sábado à tarde, após ter ido à manicure, tomando sorvete de flocos sem medo de deixar o pingo atacar o tapete velho. e foi nessa mesma sala de estar que você pode assistir na cnn espanhola ao vivo, aos conflitos dos cocaleiros de cochabamba. no mesmo sofá onde há 40 anos atrás toda a vizinhança assistiu à ida do homem à lua. isso é liberdade. aurélio buarque de holanda não me bastou com a sua “condição de ser livre”.
que estado de poder é esse que escraviza, castra e aliena tantos homens e mulheres da minha geração? posso tudo, quero tudo e muita coisa, mas não posso! “o que vão dizer?” o que até os próprios amigos, aqueles que você mais gosta, os melhores... o que eles vão pensar? o que eles pensarão de mim?
parece-me que homens e mulheres se esqueceram do “ser” enquanto traquinavam tantas descobertas. dna, micro-cirurgias, voto eletrônico, corrida espacial, revoluções políticas, guerras.... que senso comum é esse que castra simples e friamente os nossos eus, coitados... perdidos por aí. estão em algum lugar, mortos ou atropelados por modismos, fanatismos e sobretudo padrões.
cansei e cansei muito aos 26. estou com muita preguiça. muita, enorme. e conheço muitos preguiçosos como eu. todos com preguiça dessa pretensa inteligência humana: intelectualóides escrotos... falsos ricos... pseudo-hippies... ecat!
prefiro os dinossauros onde t-rex era t-rex e pronto! agradassem ou não, pterodáctilos roubam ovos de mães indefesas. eu sempre suspeitei que devia ter cursado outra coisa... entre biologia ou medicina veterinária. quando eu era muito pequena, muito pequenininha mesmo, perguntavam-me o que eu queria ser quando crescesse e eu dizia: “ ... bióloga!”. nunca entendi isso direito, mas agora sei o porquê. crianças não são inocentes; são sinceras, despretensiosas. são só seres humanos. ainda não viraram bestas.
cavalo dá coice, nunca à toa. muitas cobras só atacam quando acuadas e as que atacam sempre eu adoro! são vilãs natas! “...pula fora, senão eu mordo!” e as vacas, que são preguiçosas e ninguém tem nada com isso... fora os camaleões, águias, urubus... que personalidades! vinícius de morais admirava seu quintal porque achava sensacional patos, cachorros, gatos, gansos, galinhas, coelhos viverem harmoniosamente. sem guerras, todos felizes. não precisa ir ao iraque não, nem à rocinha. refiro-me às guerras internas, dos pré-conceitos velados, que são os piores. temos que ser ricos, bonitos, inteligentes e magros e aí, quem sabe, ainda alcançar a salvação eterna. axé!"
postado por misha às 10:46 PM 3 comentários
e todo mundo achava que ela deveria resolver os problemas dos países baixos. que esse era realmente o problema! todo mundo pensava. menos ela.
"eu não penso, ne?! se pensar, é foda..."
continuava passando os fins de semana mergulhada em suas séries de tv, reuniões com amiguinhas, almoços inocentes. de vez em quando, ela sambava. e era só sorrisos. pra ninguém, é claro!
às vezes, alguém aparecia com algum bofe pra apresentar. "bem legal!" "bacana" "bofão"... cheios de adjetivos os moços.
"conhecer, tudo bem, ne?! não morde mesmo... nem arranca pedaço"
... e ela está sambando...
postado por misha às 10:30 PM 2 comentários
me dei conta de que os homens definitivamente não estão preparados para as mulheres. obviamente, não falo das mulheres de sempre, com as reivindicações de sempre. mas daquelas que transcenderam os problemas matrimoniais e/ou de carência ou de falta de conversa. essas coisas que os homens tiram de letra há gerações, com seus silêncios e seus tempos “para que elas se acalmem”.
enquanto não cobramos presença nem carinho nem telefonemas nem flores nem gentilezas, entretanto, homens não sabem o que fazer com essas mulheres. porque não há o que fazer. já fizemos por eles... tão previsíveis e estagnados em modelos obsoletos.
as atitudes variam. alguns se desesperam em sua insegurança por não conseguirem perceber que só se trata de evolução a independência. até vejo esperança para estes, uma vez que é, ao menos, uma surpresa ou um comportamento diferencial.
mas os outros (ah! os outros) se viciaram em reclamações e nas conversas de botequim com os amigos, recheadas de generalizações. não os culpo, porém, é só algo transmitido através das gerações: mulheres querem príncipes encantados e nós, homens, estamos aqui no mundo para não sê-los.
e, de repente, aparece uma geração de mulheres que, incrivelmente, dispensa o príncipe? é mesmo de bagunçar os neurônios pouco utilizados dos machos.
postado por misha às 7:52 PM 3 comentários
_ mi, vc devia escrever um livro ou uma peça de teatro... alguma coisa.
_ como assim?
_ que isso, nega! essa sua cabecinha pensa coisa demais... eu só te perguntei que se você quisesse podia viajar com as meninas. sem contexto, mi. só a pergunta. sem contexto.
_ tá... tudo bem
_ mas você devia escrever mesmo!
_ mas eu já escrevo!!! eu tenho um blog! justamente sobre isso... =/
postado por misha às 1:54 PM 0 comentários
já fui invisível. digna não de ser das últimas da lista das mais bonitas. eu simplesmente não estava nela. falando assim, eu também poderia ser a menina, meio vestida de menino, no fundo da sala. ou a menina de óculos, aparelho e cabelão... magrinha, tadinha! podia ser qualquer uma. invisíveis. custaram a usar sutiã! isso se já precisaram algum dia.
e agora lá vem ele. ex-galã. ex-playboy. bem, sobrou só o dinheiro. e uma barriga. e a pompa. e lá vamos nós... restaurante chique, comida fina. pra rebater a ressaca!
postado por misha às 2:24 PM 1 comentários
"virei outro. tratei de reler os clássicos que me mandaram ler na adolescência, e não agüentei. mergulhei nas letras românticas que tanto repudiei quando minha mãe quis me forçar a ler e gostar, e através delas tomei consciência de que a força invencível que impulcionou o mundo não foram os amores felizes e sim os contrariados. quando meus gostos musicais entraram em crise me descobri atrasado e velho, e abri meu coração às delícias do acaso.
me pergunto como pude sucumbir nesta vertigem perpétua que eu mesmo provocava e temia. flutuava entre núvens erráticas e falava sozinho diante do espelho com vã ilusão de averiguar quem sou. era tal meu desvario, que em uma manifestação estudantil com pedras e garrafas tive que buscar forças na fraqueza para não me colocar na frente de todos com um letreiro que consagrasse minha verdade: estou louco de amor.
obnubliado pela evocação inclemente de degaldina adormecida, mudei sem a menor malícia o espírito de minhas crônicas dominicais. fosse qual fosse o assunto as escrevia para ela, nelas ria e chorava para ela, e em cada palavra se ia a minha vida. no lugar da fórmula de folhetim tradicional que as crônicas tiveram desde sempre, as escrevi como cartas de amor que cada um podia tornar suas. propus ao jornal que o texto não fosse levado às linotipo mas publicado em minha caligrafia florentina. o chefe da redação, é claro, achou que era outro acesso de vaidade senil, mas o diretor geral o convenceu com uma frase que até hoje continua solta pela redação :
- não se engane: os loucos mansos se antecipam ao porvir.”
(trecho do livro "memórias de minhas putas tristes", de gabriel garcía márquez)
_ confessa: vc estava morrendo de saudade de mim, não tava?
_ é. tava mesmo...
_ então eu vou te encher de beijo!
_ por isso?
_ consegui a mão. agora quero o braço.
(...)
postado por misha às 1:19 PM 1 comentários
"nega, vou pra casa. nos falamos depois. beijo."
vou ligar. vou perguntar como foi. por que ele não vem. por que não ligou. mas e aí? nos falamos depois... depois quando? falou que nos falávamos depois. fa-lá-va-mos. não agora. por isso mandou mensagem. senão tinha ligado. pra falar. ok! posso responder a mensagem. mas não foi uma pergunta. mensagem informativa. "vou pra casa" pontos finais... vou responder o quê? que concordo ou que aceito, que entendo? e se minha resposta fosse diferente? faz diferença pra você, meu bem? se não queria que você fosse pra casa? você desligaria o telefone e eu continuaria contrariada?
ok! pode ir pra casa. nos falamos depois. volto aqui pros meus detalhes de banheiro. "aceito os subterfúgios que me cabem"... lembro-me do legado. pensa simples. vamos nos falar depois. outro beijo.
postado por misha às 3:57 PM 2 comentários
genro é algo complicado. porque nos sonhos das mães mais cuidadosas e amorosas e compreensíveis, que já se casaram e já escolheram, os possíveis futuros maridos das filhas são o objeto do julgamento. difícil, né?! mesmo quando nem há apresentação.
uhhhh!!! carreirista, engenheiro, contratado e disputado por muiltinacionais...
analista de sistemas, descolado, frango do pescoço pelado???
arquitetinho promissor, rostinho bonito, anjo da sogrinha...
advogado, ternos e gravatas, ticket refeição de R$12,50???
funcionário do banco do brasil, residente de espera (o q mesmo?)
administrador. futuro consultor. empregado com o papai...
bancário gerente, casa própria, carro pago, metade de gente!
barrigas, cervejas, ligações a cobrar, chifres, brochas, ex-namoradas, motos sem gasolina, ônibus até o fim do mundo, desculpas.
bem, ele usa drogas, não tem residência fixa e faz xixi de porta aberta! bem, uma multinacional acredita nele... isso vale, mamãe?
postado por misha às 10:05 PM 4 comentários
"rob and laura lean back in a booth, facing each other. we get that feeling that not another word has been spoken sincewe last saw them.
_i'm too tired not to go out with you.
_so if you had a bit more energy we'd stay split. but things being how they are, what with you wiped out, you'd like us to get back together.
_everything's too hard. maybe another time i would have the guts to be on my own, but not now i don't.
_ what about ian?
_ ray's a disaster. i don't at that was all about, except that sometimes you need someone to lob into the middle of a bad relationship like a hand grenade, i guess, and blow it all apart.
_ mission accomplished.
_ i know it's not very romantic, but there will be romance again at some stage, i'm sure. i just... i need you, rob. that's it. and we know each other and we care for each other, and you've made it clear that you want me back, so... she looks up at him... let's go home. okay?
_okay."
(retirado do roteiro do filme "alta fidelidade")
"too tired" é foda, mas é verdade.
postado por misha às 9:05 AM 1 comentários