seu ciclo de construção é também o de perdas. mas ele é grande e há tempo isso eu posso prometer. a doçura é um dom. seu dom, que há de trazer os bens a você. e os amores.
acalma o coração, coração que o aprender não cessa, nem a dor, nem a alegria. dia a dia a dia
Sou uma obcecada por conhecer coisas.
Aos 6 anos de idade, me lembro da aula em que aprendi as primeiras operações matemáticas. Meu encantamento era tamanho que me perguntava se eu era a única a reconhecer o quão sensacional era aprender aquilo. Eu tinha a consciência de que aquele momento era histórico, único e importante na minha tão breve vida. Mas a verdade é que quase toda coisa nova que conheço, entendo ou descubro me deixa assim. Feliz e plena!
Eu sei que dizer isso numa roda de boteco me faz parecer doida. Mas, tendo um blog, dá pra tentar explicar a minha visão, meu sentimento cada vez que uma coisa nova chega pra mim. Geminiana típica, louca por compreender tudo.
Acabar de ler um livro, ver um filme, ouvir música, encontrar um site interessante. São meus prazeres guardados delicadamente pra mim, minhas pequenas alegrias, singelas poesias nos meus dias.
Aprender a selecionar, compartilhar é outro desafio, pra outra hora.
"Como é que a sua solidão se comporta? Ou, talvez, dando um giro na pergunta: Como você se comporta com a sua solidão? O que é que você está fazendo com a sua solidão? Quando você a lamenta, você está dizendo que gostaria de se livrar dela, que ela é um sofrimento, uma doença, uma inimiga... Aprenda isso: as coisas são os nomes que lhe damos. Se chamo minha solidão de inimiga, ela será minha inimiga. Mas será possível chamá-la de amiga?" (Rubem Alves)
Eu quero tudo aos meus pés. E quero tudo. Com medo e aflição que tudo se acabe amanhã, depois ou já tenha evaporado e eu não percebido.
Quero todas as mulheres, todas as músicas, as horas, as drogas, todo o suor que eu puder. Me desespero de ver que não tenho mais vinte, nem trinta e que o futuro não está tão aí. Me esforço pra ser livre, sem pegas, solto dentro de um mundo de amarras que me parecem tão definitivas. E me perco porque o que quero é desabar e fingir conseguir voar para longe de qualquer piso firme.
Ajo como se tivesse todas as mulheres a minha porta e talvez elas estejam, mesmo que a certeza disso não seja importante para a ganância que tenho de viver tudo, antes que eu adoeça ou me encontre fraco demais para agarrar o que digo que quero.
Tudo que puder ter ou experimentar, antes que haja um porto.
me aproprio das idéias e escrevo as letras ou poesias ou o que quer que sejam essas pequenas frases. tento, desesperadamente, compreender o que são as águas. entender o que me toca, o que me mexe ou em que dança nos encontraremos.
"Repito-lhe uma última vez, na esperança de que agora não se estrangule com sushis de trinta euros cada um, diga-se de passagem, e que exigem um pouco mais de delicadeza na ingestão: você não é sua irmã, podemos ser amigos. E até mesmo tudo que desejarmos."
"O que é preciso viver antes de morrer é uma chuva torrencial que se transforma em luz."
Tem homem que é uma fofura. Rosto, corpinho, tudo no lugar. Tudo certinho quando de jeans, camiseta, havaiana (pra não dizer pelado). Mas aí, começam a entrar os complementos e tudo complica. Escolha do tênis, patuás, gírias, gosto musical, corte de cabelo.
E aí, vamos limpar tudo, raspar a cabeça e começar de novo?
teria que viver mais algumas vidas alguns dias que teriam mais horas pra alcançar o inatingível. e me pergunto se o fim do túnel guarda o que não sei se quero.
serão as gêmeas que moram em mim que desejam tudo, saber, ter, ser tudo? e é duro saber o que é meu, o que faz parte dos desejos de um desconhecido, de uma desconhecida vida que julgo almejar pra mim.
diante do juiz de paz que me tornei, sigo a equilibrar os pratos. e falta o ar, o fôlego... e meus olhos se cansam de não piscar mais, de não perder nada.
a sensação é de torpor eterno porque a mão não alcança nada numa dormência que só faz crescer. e tudo está bem diante dos sentidos, agora estafados.
olha, definitivamente, esse não é lugar legal pra ir. mas a gente vai mesmo assim. acho que fazia tempo que não andava por lá, mas continuava ouvindo relatos nada agradáveis de visitas das amigas.
o reino da fritolândia é um país de zero lucidez. e, normalmente, não há razão real para que ele se monte lá, firme e louco. não ligou, não respondeu mensagem? ou por nada mesmo. às vezes, só pela ansiedade de gostar. aliás, ele é um péssimo fruto da nossa urgência e ansiedade.
uma das amigas define o reino da fritolândia como a ilha de lost. um lugar que não faz sentido, que, quando você percebeu, já estava lá e, por mais que você tente, é duro de sair.
eu gosto de outra comparação. pra mim, é como o parque de diversões da história do pinóquio: você sabe que não deveria estar ali – já que tem afazeres. sabe que, no fundo, não é um lugar bom, sabe que é errado estar ali. e sabe que, no final, vai acabar com orelhas de burro.
[título alternativo: como pakalolo em calça jeans]
você que é mulher e está lendo aqui pode não saber, mas você tem carimbado na testa alguma coisa. ainda não descobri se é uma tinta invisível, em forma de tatuagem, ou alguma cor que se disfarça no espelho... mas está lá. algo que só os homens podem ver. pois é. é claro que eu não vejo e fico só especulando e matutando, tentando descobrir o que está escrito aqui na minha testinha ou simplesmente estampado tipo logo da “louis vuitton” em bolsa, ou “pakalolo” em calça jeans da década de 90.
olha, sei que não é legal, mas está aí. pra quem não acredita, vou falar da minha própria tatoo, porque meu telhado também é de vidro. a princípio, achei que a inscrição fosse “palhaça”, assim de cara, ficava difícil ser outra coisa. eu olhava pra minha vida amorosa e me via como a personagem principal de uma grande anedota!
depois, uma amiga constatou. o que está estampado feito “pakalolo” em mim é “pode”. vou explicar:
- pode te ligar pra gente sair? [pode] - pode te dar uns beijinhos? [pode] - pode parar de te ligar? [pode] - pode te dever dinheiro? [pode] - pode te enfernizar pelo msn? [pode]
bem, por aí vai, ne... não é assim difícil de entender.
mas também descobri que o sexo masculino também tem tatuado umas coisas. mas mulher tem mania de interpretar tudo e querer ler as entrelinhas. então a gente vê, lê e não entende. exemplo: tem homem que a gente olha e está lá, em letras garrafais: “garoto problema”. o que a gente faz? desconsidera, ou acha que dá pra melhorar. outro caso bem comum: “fria”... assim tem um monte. você acha que a gente entende? nãaaao! parecemos até analfabetas. vai ver somos, né?
agora eu fico assim, cabreira... olhando e pensando: o que será que está escrito na sua testinha que eu não estou conseguindo ver, hein???
o que vejo são peitos pequenos e pernas curtas e mais coisas curtas. me pergunto de onde vem tanta delicadeza, ou meiguice. como pode batom vermelho fazer parecer boneca? era pra ser sexy. ou não?
e o que você vê quando olha? diminutivos, abreviações, parte de algo que será adulto, mulher, mãe, avó. projeto, esboço, rascunho que não é revisado, assinado ou concluído.
o que você ouve? grave, agudo, doce, voraz... você escolhe 30, 40, ou fica com a candura?
escolho o que escolhi ser. onde minhas leves, mas reais, rugas me trouxeram. tenho história.
1 - é tudo verdade! 2 - sou uma serial mr. bigs woman!
verdade. vou tendo assim, um atrás do outro, desde meus sei lá quantos anos. e acho que, no fundo, eu alimento essas palhaçadas. ok! não acho nada disso palhaçada... na verdade, eu gosto. e acredito que, em parte, esses mr. bigs espalhados por aí (que eu sempre chamei de fantasmas, mas mr. big é um conceito muito mais adequado e divertido) são um jeito que a gente encontra de se sentir um pouco mais viva. acho indispensável momentos e namoros leves, que não te privam a respiração, nem a concentração no trabalho. e já tive alguns assim, terra firme. mas, de tempos em tempos, não dá pra não achar a melhor coisa do mundo a barriga esfriar, a mão tremer, taquicardia, os ataques de ansiedade (vide celinha). daí, vão aparecendo os mr. bigs e a gente vai gostando... vai alimentando... e vai sofrendo. ê beleza!!! (digo por mim, ô eu que gosto de sofrer, de um draminha) daí, um dia canso e volto a querer um porto seguro. que pelo menos deixam a gente trabalhar, né?
a voz de uma, de quatro. porta-voz de noites bem dormidas, debatidas. de certezas, angústias. Intimidades escancaradas. conversas com atas? sim. jovens, independentes, bonitas, bem resolvidas e calejadas.